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MILTON SANTOS – GENTE DA BAHIA

24/06/2010

Ilustração de GENTIL

Sinto-me autorizado a pleitear a possibilidade da efetivação da estátua ou um busto do nosso Milton Santos, enriquecendo a cidade e expondo um modelo de talento e superação (Jaime Sodré)

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A MILTON SANTOS POR MERECIMENTO

ou:

TIRANOS ESPINHOS

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texto de JAIME SODRÉ*

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Permitam-me apresentar o currículo:

Professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP; pesquisador 1A do CNPq; visiting professor, Stanford University, 1997/98; bacharel em Direito, Universidade Federal da Bahia, 1948; doutor em Geografia, Université de Strasbourg, França, 1958; doutor honoris causa das universidades de Toulouse, Buenos Aires, Complutense de Madrid, Barcelona, Nacional de Cuyo-Barcelona, Federal da Bahia, de Sergipe, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Estadual de Vitória da Conquista, do Ceará, Unesp e de Passo Fundo.

Prêmios:

Internacional de Geografia Vautrin Lud, 1994; USP/1999 (orientador de melhor tese em ciências humanas); Mérito Tecnológico, 1997 (Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo); Personalidade do Ano, 1997 (Instituto dos Arquitetos do Rio de Janeiro); Jabuti, 1997 (melhor livro de ciências humanas: A Natureza do Espaço, Técnica e Tempo).

Medalhas:

Mérito Universitário de La Habana, 1994; Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, 1995; Colar do Centenário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, 1997; Anchieta, da Câmara Municipal de São Paulo, 1997; Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, 1997.

Lecionou nas universidades de Toulose, Bordeaux, Paris, Lima, Dar-es-Salaam, Columbia, Venezuela e do Rio Janeiro. Consultor da ONU, OIT, OEA e Unesco junto aos governos da Argélia e Guiné-Bissau e ao Senado da Venezuela.

Publicou mais de quarenta livros e trezentos artigos em revistas científicas em português, francês, inglês e espanhol.

Baiano de família de professores, com o avô e avó professores primários, mesmo antes da Abolição, que o ensinaram a olhar mais para frente do que para trás. Família remediada, os pais ensinaram boas maneiras, francês e álgebra. Foi aluno interno, neste ambiente começara a ensinar antes da faculdade, ingressando na Faculdade de Direito e se formando em 1948.

O fato: segundo o mesmo Milton, seu maior desejo era a Escola Politécnica em Salvador – “havia uma ideia generalizada que esta escola não tinha muito gosto de acolher negros, então fui aconselhado fortemente pela família (tinha um tio advogado) a estudar Direito, e daí mudei para a Geografia, que comecei a ensinar desde os quinze anos”. Havia uma crença na sociedade da época que na Politécnica os obstáculos eram maiores.

Escrevera no jornal A Tarde, como correspondente na região do cacau onde lecionava, por iniciativa do ministro Simões Filho que o descobriu para a imprensa. Ensinara na Universidade Católica e preparava-se para entrar na pública, onde fez concurso em 1960, após o doutorado em Geografia na França.

O pleito:

Quando saíamos do Colégio Central, em turma, na direção da Sé, era comum a brincadeira entre as estátuas do Barão do Rio Branco e Castro Alves, diziam:

Castro Alves estendia a mão em direção ao Barão pedindo uns trocados para libertar os negros, Rio Branco, com a mão no bolso, dizia “tenho mais não dou”.

Coisas da juventude.

Recentemente, a Semur [Secretaria Municipal da Reparação, de Salvador] solicitou-me uma relação de estátuas e monumentos de negros e negras em nosso espaço urbano, e inspirou-me para o que segue.

Diante do currículo exposto do professor Dr. Milton Santos, sinto-me autorizado a pleitear, quem sabe à própria Semur, a possibilidade da efetivação da estátua ou um busto do nosso Milton Santos, enriquecendo a cidade e expondo um modelo de talento e superação. Ainda de posse de uma das suas brilhantes frases, que estaria no monumento merecido:

Quem ensina, quem é professor, não tem ódio.

Em tempos de cotas, melhor local não seria adequado, senão em pleno ambiente acadêmico da Escola Politécnica, cumprindo um desejo do grande mestre, calado outrora pela mentalidade maldosa, inibidora da época. Aposso-me de uma frase, lugar comum neste gesto, na certeza do apoio de muitos, “ao mestre com carinho”.

Esta justíssima homenagem traduzirá, com certeza, a admiração do povo brasileiro aos seus filhos ilustres, registrando aqui homenagem a alguém que o mundo não se cansou de reconhecer e homenagear. Placidez, serenidade, sorriso permanente aberto, humanidade, sabedoria, sem perder a ternura diante das dificuldades, poderão inspirar o escultor a modelar, em material nobre, este nobre baiano.

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*Jaime Sodré – Professor universitário, mestre em História da Arte, doutorando em História Social

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Foto de LUIZ CARLOS SANTOS

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UMA NOVA FORMA DE OLHAR

E COMPREENDER O MUNDO

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texto de LIDICE DA MATA*

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A Câmara dos Deputados prestou homenagem ao geógrafo e professor Milton Santos, um dos mais brilhantes e respeitados intelectuais do nosso tempo, que faleceu há nove anos, deixando uma imensa lacuna, mas também nos legando uma obra incomparável que hoje é referência em todo o mundo. Não é nenhum exagero dizer que Milton Santos fundou uma nova Geografia, reescreveu os fundamentos desta disciplina, nos ensinando uma nova forma de olhar e compreender o mundo.

Negro, nascido em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, nunca se deixou abater pelo racismo, pelo preconceito social e nem pelas imensas dificuldades que enfrentou ao longo dos seus 75 anos de vida. Milton Santos foi um vencedor, um mensageiro da esperança, um guerreiro da palavra que, sempre com um sorriso amável, nunca parou de lutar e nos legou um arsenal de ideias sobre a problemática do mundo globalizado e as possibilidades de construirmos um futuro melhor para todos.

Nada mais apropriado para homenagear esse brasileiro de espírito crítico e inovador do que discutir a sua obra, debater e divulgar as suas ideias. Por isso, a Comissão de Educação e Cultura, da qual eu faço parte, promoveu no mês de maio, em que se comemora o Dia do Geógrafo, um seminário que contou com a participação de muitos parlamentares e representantes do meio acadêmico.

Neste momento, em que vivemos a mais grave crise do capitalismo no mundo, considero necessária e oportuna uma reflexão sobre o pensamento de Milton Santos. Ele nos inspira novos caminhos, nos aponta o rumo de uma outra globalização, em que o desenvolvimento seja voltado para o homem e não apenas para o beneficio das corporações nacionais e transnacionais.

Brasileiro, apaixonado por sua terra, Milton Santos é um pensador universal. E nesse aspecto, devemos destacar que não foi por acaso que, em 1994, ele recebeu o Prêmio Vautrim Lud, considerado o Nobel da Geografia. Sem dúvida o coroamento de uma trajetória que começou na Bahia, onde além de professor, foi jornalista e um intelectual engajado, um combatente das causas políticas e sociais.

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*Lidice da Mata – Deputada federal pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB)

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Foto de LUCIANO DA MATA | Agência A Tarde – 14.7.1997

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MILTON SANTOS, UMA BIOGRAFIA

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texto de FERNANDO CONCEIÇÃO*

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Em vida ele repudiaria o uso de seu nome para homenagens vãs. Cuidado, portanto. Em junho de 2011 completam-se 10 anos da morte do geógrafo Milton Santos, baiano para o qual setores da política e da intelligentzia local deram as costas. Tanto assim que seus restos mortais jazem em cemitério de São Paulo, cidade que o acolheu nos seus profícuos anos de projeção intelectual pós exílio forçado pela ditadura de 64.

A obra miltoniana, zelada por Marie-Helène, sua viúva, vem toda ela sendo republicada pela Editora da Universidade de São Paulo, para usufruto de quem queira. Mas afora especialistas, é certo que muitos dos que vêm se apropriando do seu nome quase nada leram dele. Ou ao menos prestaram atenção no que disse. Fariam melhor à sua memória se a difundissem apropriadamente, estimulassem a adoção de seus escritos pelas escolas possíveis. Os mesmos não se restringem à Geografia, mas expandem-se a outras áreas do conhecimento: filosofia, história, planejamento urbano, educação, economia, comunicação…

É pretensão minha entregar ao público brasileiro, daqui a um ano, a biografia de MS. Livro que narre sua trajetória, desde o nascimento em Brotas de Macaúbas. A 12 meses da efeméride, tento costurar apoios. Falta prosseguir a pesquisa necessária ao levantamento de dados, informações e depoimentos. Considerável parte desse material acha-se lá fora, por onde buscou seu sustento. Países europeus, africanos, da América Latina, Estados Unidos, Canadá e mesmo Haiti, onde se casou pela segunda vez. Também Brasil afora. O custo do trabalho não é baixo. Requer investimento que não está à mão. Mas a importância daquele intelectual exige agora dedicação quase exclusiva à tarefa. Autorizada por ele, aliás.

Cumprir a meta é o desafio. Há dificuldades naturais de percurso, objeções advindas da natureza independente do personagem a ser retratado. Daí, é de valor inestimável qualquer informação, detalhe, documento a ser oferecido para a completude da obra. Valho-me de A Tarde, no qual ele trabalhou por anos, para solicitar a colaboração de todos os que possam fazê-lo. Milton Santos, patrimônio do Brasil, é para ser rememorado sempre.

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*Fernando Conceição – Jornalista, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA), biógrafo autorizado de MS

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Foto de MARIA ADÉLIA DE SOUZA | SescTV

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COTAS E RACIALISMO

28/03/2010

Ilustração de GENTIL

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texto de PEDRO DE A. VASCONCELOS*

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É simpático e considerado “politicamente correto” defender cotas para acesso ao ensino superior. Mas, para tanto seria necessário dividir arbitrariamente a sociedade brasileira para definir quem tem ascendência africana ou ameríndia numa sociedade em que até irmãos gêmeos têm cores diferentes.

O atual debate sobre cotas leva ao questionamento da importação de políticas afirmativas para aplicação no caso brasileiro. Nos Estados Unidos, por exemplo, os escravos eram uma minoria e, após a abolição, os descendentes de africanos, mesmo mestiços, foram considerados “negros”, segregados e discriminados, formando uma cultura específica. Naquele país as políticas afirmativas destinaram-se a um grupo social bem definido e, mesmo assim, ocorreram problemas de ordem constitucional.

No caso brasileiro, a situação é bem mais complexa. Aqui a escravidão foi geral, muito longa e incluiu negros, mestiços e parte dos índios. Afora isso, desde cedo, o número de libertos foi muito elevado e, além dos brancos, os africanos, os crioulos e os pardos também adquiriam escravos, ressalvando que, por opção ou por pobreza, muitos brancos, tais como os agregados urbanos e moradores rurais, não possuíam escravos. Com a abolição, a República abandonou os escravos e seus descendentes, mas a sociedade não se dividiu em segmentos raciais: a miscigenação continuou junto com uma enorme desigualdade social.

A tentativa de aplicar cotas raciais no Brasil vem da dificuldade, entre outras, de definir o grupo que seria beneficiado. Como não recebemos famílias completas no período colonial (com exceção localizada de casais açorianos), e como os brancos eram minoria, a mestiçagem generalizou-se ante o menor número de mulheres brancas. Assim, os mestiços formaram um grupo à parte (irmandades, tropas), nem todos foram escravizados e, diferente dos negros, obtiveram privilégios nas alforrias, nas heranças e até na legislação pombalina.

Entretanto, os atuais movimentos negros incluem “pardos” e “pretos” como “negros” ou “afro-descendentes” (uma cópia dos “afro-americanos”) embora com a mestiçagem a maioria dos pardos poderia ser considerada também como “euro-descendente” ou “índio-descendente”.

Como pano de fundo, persiste um sentimento difuso de culpa que levou o presidente Lula a pedir perdão na África, esquecendo a responsabilidade dos estados escravistas africanos, que enviaram embaixadas para a Bahia e para Lisboa pleiteando monopolizar a exportação de escravos. Na verdade, os africanos não participaram do tráfico atlântico por não disporem de navios de porte. Não se há de esquecer que a escravidão na África antecedeu à chegada dos europeus.

Mesmo em Angola, onde o controle europeu foi uma exceção, os pombeiros (intermediários entre os portugueses e nativos) se abasteciam em feiras de escravos organizadas pelos africanos. Isso, evidentemente, não diminui a responsabilidade dos europeus e brasileiros no tráfico nem na longa e cruel escravidão no Brasil.

Se usarmos o critério norte-americano de ascendência africana (e adicionarmos a ameríndia) quase toda população do Norte e do Nordeste teria “direito” às cotas, o que diluiria os efeitos da medida. Por outro lado, se a opção for ter frequentado escola pública, cai-se na contradição de priorizar os originários do sistema de ensino de qualidade inferior (ao contrário das universidades) e de responsabilidade principal dos estados e municípios.

A meu ver, o mais grave é tentar dividir a população brasileira em uma classificação arbitrária, e, sobretudo, tornar a questão racial um problema grave, criando novas tensões e ampliando preconceitos. É possível imaginar um futuro de recusa a serviços prestados por médicos ou engenheiros “cotistas”.

As cotas, na verdade, não oneram o Estado. Mas, investir no ensino público fundamental, que deveria ser de qualidade e de tempo integral, mesmo em detrimento do ensino universitário público, é o que transformaria a situação dos pobres, independentemente da cor de cada um.

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*Pedro de Almeida Vasconcelos Ph.D em Geografia pela Universidade de Otawa

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NOTA DO EDITOR – O artigo acima, publicado originalmente em Opinião, do jornal A Tarde, recebeu pelo menos uma crítica de leitor, que reproduzo abaixo, seguida da “tréplica” de Pedro de Almeida Vasconcelos.

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CRÍTICA DE MARCOS JORGE ALMEIDA SANTANA:

Estranhei, bastante, a imaginação do Dr Pedro de A. Vasconcelos sobre o futuro dos cotistas. É fato que o mesmo conhece, por demais, as obras e o brilhantismo do nosso genial Milton Santos, negro, mais do que Ph.D em Geografia, que honrou e honra a Bahia e o Brasil em várias partes do mundo, tendo inclusive recebido o que se poderia chamar de “Prêmio Nobel” de Geografia. Embora ele não tenha entrado na universidade através de cotas, temos exemplos já divulgados de excelentes estudantes em engenharia e medicina, que atestam a importância desta política.

Portanto não concordo com a frase: ” É possível imaginar um futuro de recusa a serviços prestados por médicos ou engenheiros ‘cotistas’.” Conforme consta no seu artigo “Cotas e Racialismo” publicado em A Tarde no dia 26/03/10, pg. A2.

Marcos Jorge Almeida Santana – Lauro de Freitas

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RESPOSTA DE PEDRO VASCONCELOS:

Prezado Marcos Jorge,

Recebi a cópia da mensagem que v. enviou para o jornal A Tarde.

O exemplo do Milton Santos que v. deu (assim como os demais negros e mestiços que se destacaram desde o Império) mostra que o problema não é racial e sim social, pois eles tiveram acesso a um ensino de qualidade. O problema, para mim, está na massa dos pobres (sobretudo negros e mestiços aqui na Bahia) que são abandonados no ensino público fundamental de baixa qualidade.

Uma solução mais radical seria acabar com o ensino público universitário gratuito e reverter esses recursos para o ensino fundamental (com bolsas para os mais carentes). Meus melhores alunos em Geografia foram negro-mestiços que tinham cursado a antiga Escola Técnica Federal, melhores que os branco-mestiços de classe média.

Informo que escrevi um artigo em homenagem ao Milton Santos, na revista Afro-Ásia, número 25-26, 2001, p. 369-405.

Cordialmente,

Pedro Vasconcelos

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CAPOEIRA: LIVRO SOBRE MESTRE PASTINHA

14/12/2009

Capa do livro que traça o perfil de Mestre Pastinha, escrito por Otto Freitas e José de Jesus Barreto

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Novos perfis de 

Gente da Bahia 

  

O capoerista angoleiro Mestre Pastinha, o mestre das artes plásticas Juarez Paraíso, o abade beneditino Dom Timóteo, o deputado do divórcio Nelson Carneiro e o estudioso do afrobaiano Édison Carneiro: esse é o elenco de personalidades perfilados no novo pacote editorial da Coleção Gente da Bahia bancada pela Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALB), com lançamento marcado para essa terça-feira, dia 15 de dezembro, a partir das 16h30 no saguão Deputado Nestor Duarte, da ALB. 

O Mestre Pastinha, sem dúvida o menos ilustrado dessa turma, deixou uma herança angoleira que se espalhou pelos cinco continentes e também ensinamentos de um sábio mulato nascido e criado nas ruas e becos do centro histórico de Salvador. Sua academia de Capoeira Angola foi uma referência no Pelourinho: 

Tudo o que penso da capoeira, um dia escrevi naquele quadro que está na porta da academia. Em cima só essas três palavras: Angola, Capoeira, Mãe. E embaixo, o pensamento: Mandinga de escravo em ânsia de liberdade; seu princípio não tem método; seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista. 

Os jornalistas Otto Freitas e José de Jesus Barreto traçaram o perfil do filósofo popular e mestre maior da capoeira angola da Bahia, Vicente Ferreira Pastinha. 

O perfil do professor Juarez Paraíso, um ícone de inquietação e modernidade durante décadas no âmbito das Belas Artes baianas é de autoria do jornalista e escritor Claudius Portugal; Fabiano Viana Oliveira escreveu sobre o abade Dom Timóteo Amoroso Anastácio, figura corajosa, serena e marcante que dirigiu o mosteiro de São Bento de Salvador durante os anos mais duros da ditadura militar. O mesmo autor escreve o perfil do político Nelson Carneiro.  

Em parceria com Luis Alberto Couceiro, o jornalista Biaggio Talento assina o perfil de Édison Carneiro, uma indispensável referência para os estudiosos das raízes africanas que forjaram a identidade baiana. 

Dessa turma de personalidades – a grande maioria nascida e alguns adotados pela Mãe Preta Bahia –, todas marcantes dentro do mundo cultural baiano destas seis/sete últimas décadas, apenas Juarez Paraíso continua em plena atividade, pintando, criando, dando aulas, orientando gerações. 

Ler esses perfis é mergulhar na compreensão da história dessa terra tão singular, sobretudo pela mistura de tantos signos culturais. Esses eleitos foram/são protagonistas, cada um no seu fazer, do cabedal baiano que tanto nos orgulha e diferencia.  

OUTROS 

A Coleção Gente da Bahia foi lançada em 2008, com os livros: Carybé – Um capeta cheio de arte, de José de Jesus Barreto e Otto Freitas; Gordurinha – Baiano burro nasce morto, de Roberto Torres; Riachão – O cronista do samba baiano, de Janaína Wanderley da Silva; Guido Guerra – O papagaio devasso na casa dos sem jeito, de Luiza Torres; e Mulher de Roxo – A dona da rua Chile, de Patrícia Sá Moura.  

Já estão previstos os próximos lançamentos, para 2010: Calazans Neto – O gravador de Itapuã, Lindembergue Cardoso – Réquiem para o sol, Walter Spinelli – O alfaiate que Adão não conheceu, Carlos Lacerda – Um piano da Bahia e Milton Santos – Reflexões póstumas de um livre pensador.  

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(zédejesusbarrreto – 15dez/2009.) 

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