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PARABÉNS, LUIZ: 25 ANOS DE AXÉ MUSIC

28/02/2010

LUIZ CALDAS toca ao lado de ORLANDO CAMPOS DE SOUZA, o ORLANDO TAPAJÓS, criador do trio elétrico Caetanave no carnaval baiano de 1972. Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 Salvador-Bahia

No Carnaval do ano passado, o jornal A Tarde convidou o cantor e compositor GERÔNIMO, então Rei Momo, para escrever uma coluna diária nas seis edições especiais dedicadas à folia baiana. Este ano o convidado para a mesma tarefa foi LUIZ CALDAS, aproveitando o seu retorno aos centros das atenções sotero-carnavalescas por comemorar 25 anos da Axé Music, movimento inaugurado por ele.

O blog JEITO BAIANO reproduz abaixo os seis muito elogiados textos de Luiz, na ordem em que foram publicados.

Antes, um recado de LUIZ CALDAS:

www.luizcaldas.com.br – “Aqui você saberá tudo sobre mim”.

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SEXTA-FEIRA DE CARNAVAL

Salve a alegria,

salve o Carnaval da Bahia!

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 12 de fevereiro de 2010)

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Para começar o nosso papo-cabeça, em plena folia de momo, nada como dizer que o hit do Carnaval é a não-violência. Em sendo assim, a minha expectativa é que a diversidade musical, aqui batizada por Axé Music, brilhe mais e mais com os nossos astros, que não devem em nada aos demais que também brilham mundo à fora.

Salvador no Verão, especialmente no Carnaval, é um colírio para todos os olhos, sem essa de deixar a lágrima derramar. A ordem é brincar, beijar, abraçar, dançar e ver a beleza dos blocos afros, que pela ancestralidade é matriz de grande parte desta coisa de ser baiano. Como é bonito ver Denny comandando a Timbalada, Vovô desfilando com o mais belo dos belos, que é o Ilê, e os turistas acertando o passo para se tornar um de nós baianos.

Com a homenagem aos 60 anos do trio elétrico, os 25 anos da Axé Music, a presença de Moraes Moreira e tendo Pepeu Gomes como rei momo, o Carnaval de Salvador consegue valorizar a sua história com os olhos no futuro e os pés no chão. Esse modelo de resgate tem que ser mantido, pois os artistas consagrados e os fatos históricos são faróis acessos para a festa ficar bonita. Os artistas consagrados transmitem por meio da sua arte a inspiração para os novos que chegam. São influências boas que só agregam valores.

É impossível falar de trio elétrico sem falar da guitarra baiana, que tem Armandinho o seu maior expoente. Lembro-me que fazíamos batalhas musicais na Castro Alves, eram explosões de acordes e rajadas de notas musicais para todos os gostos. Os dedos dançavam neste instrumento genuinamente baiano, essência do som trieletrizado. Aqui, não poderíamos deixar de citar Renatinho do Tapajós, Pepeu, Missinho e Cacique Jonny, que mandavam ver. Hoje a geração que pinta no pedaço tem David Moraes e Morotó, dentre outros.

Quem for me acompanhar neste Carnaval vai ficar sabendo tudo sobre os grandes clássicos do Jubileu de Prata da Axé Music e sobre a festa. E já que a ordem é irradiar a alegria, vale a pena ouvir o clássico carnavalesco Prefixo de Verão, da Banda Mel.

No mais é esquecer os problemas da vida, pois Carnaval é prazer, é paz e é alegria. Até amanhã!

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Nesta sexta-feira à noite estarei no Pelourinho mandando ver com o meu som. Lembro que este Carnaval é emblemático para mim, pois é o Jubileu de Prata da Axé Music.

Salve Pepeu Gomes, nosso rei momo coroado por Gerônimo, que foi a estrela momesca da festa anterior. Gerônimo mostrou no seu reinado que é possível ser rei e artista ao mesmo tempo.

Tô de olho na Mudança do Garcia, que se consagrou como a mistura da mistura da anarquia e da cultura do Carnaval de Salvador.

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LUIZ CALDAS e banda no palco armado no Largo do Pelourinho. Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-Bahia

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SÁBADO DE CARNAVAL

A chuva lava a tristeza

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 13 de fevereiro de 2010)

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Se eu fosse o prefeito de Salvador, ao invés da chave da cidade, daria uma paleta de ouro para ouvir os solos maravilhosos do nosso Rei Momo Pepeu. Qual o estado brasileiro que tem um dos maiores guitarristas do mundo no comando da folia? Isso só acontece na terra primeira do Brasil. E assim o Carnaval começou oficialmente, com os seus problemas e prazeres irmanados numa confusão organizada por Baco.

E em seguida veio a chuva, que lavou a tristeza e se misturou ao suor e à cerveja, como bem descreveu Caetano em seu frevo clássico.

Mas o começo da folia me fez relembrar a história. Foi quando a fobica original apareceu no Campo Grande com os filhos de um dos criadores a bordo e o Reio Momo. Os 60 anos deste invento maravilhoso que é o trio pareceram simples 60 dias. Uma vibração me dizia que a dupla elétrica Dodô e Osmar estava no meio do povão assistindo a tudo numa só felicidade.

Com o coração pulsando diferente, os olhos lacrimando e a alegria contornando a emoção, confesso que fiquei feliz ao assistir a homenagem que Denny da Timbalada me prestou, se vestindo como eu me vestia e cantando Haja Amor, voltando à época em que inventei a Axé Music. Essa bela apresentação na Barra mostra o lado inofensivo do Carnaval, pois tudo que é feito com o coração soa bem e fica bonito.

E por falar em inofensividade, tive a coragem de pedir a Sandra, minha esposa, o meu vale night, uma santa ideia do amigo Durval, que sabe como poucos fazer um Carnaval irreverente e cheio de inventividade.

E é nessa onda da musicalidade plural da festa que estou com os meus olhos de lince voltados para a turma do rock e do reggae, como Pitty, Retrofoguetes, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Diamba, Ed Vox e Adão Negro. Essa galera merece tudo de bom, pois seguem os passos dos nossos eternos Raul Seixas e Bob Marley.

Hoje estarei na Barra com o meu trio dos 25 anos da Axé Music homenageando o Trio Tapajós. Orlando Campos é o cara que fez o trio se perpetuar para sempre, pois segurou a onda na época em que os criadores deram um tempo. Orlando é o trio moderno, é a carroceria do passado, do presente e do futuro.

Durante a festa, o meu Olhar de Lança permanece antenado com as coisas que estão acontecendo. Até amanhã!

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Um problema de última hora atrasou a apresentação do nosso Rei Momo Pepeu Gomes. Coisas do Carnaval, mas nada capaz de tirar o brilho de sua musicalidade.

Num momento super musical, foi lindo assistir Adelmo Casé ninar o povão com a canção Mimar Você. Isso é que é saber usar bem uma gaita harmônica no lugar certo e na hora certa!

Como a Bahia é o berço do samba, deste o tempo de Tia Ciata, que migrou para o Rio de Janeiro, o gênero fez bonito na avenida. É a força dos nossos bambas e dos “bons malandros” cariocas.

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LUIZ CALDAS canta no Largo do Pelourinho. Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-BA

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DOMINGO DE CARNAVAL

Vamos girar

o nosso calidoscópio cultural

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 14 de fevereiro de 2010)

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O Carnaval de Salvador é um calidoscópio cultural em ebulição. Com inúmeras possibilidades, a festa vem se moldando às pressões do poder econômico, ficando em segundo plano as autênticas manifestações. Quem vem sofrendo com este modelo sustentado pelos mercadores da alegria são as entidades de matriz africana, os blocos de índio e os grupos de samba. Como manter esse calidoscópio em movimento?

Bem, não é fácil atender todos os interesses. Uma saída seria pulverizar os espaços públicos com essas entidades. Temos que ver com carinho especial os blocos que preservam as matrizes africanas, garantindo verbas ao longo do ano, não antes de a festa começar. É inadmissível que esses blocos fiquem agonizando por falta de grana, não tendo condições de confeccionar adereços e fantasias. Dos milhões que são arrecadados em publicidade, nada mais justo do que separar uma fatia e distribuir entre essas entidades, obedecendo a importância histórica de cada um.

O Circuito Batatinha, o Pelourinho, tem conseguido movimentar este calidoscópio. Com uma decoração das mais belas homenageando os 60 anos do trio, o local representa a convergência das manifestações culturais que dão sentido ao Carnaval de Salvador. Na sexta-feira, por exemplo, vi famílias com crianças brincado sem pagar um tostão e na maior paz. Tinha som para todos os gostos, até uma charanga de japoneses. Este é o modelo que deve ser pulverizado nos outros circuitos. O Pelô é o point.

Por sua vez, o outro lado da festa sabe como poucos se movimentar para garantir mais lucratividade, pouco se importando com a cultura de “menor” apelo massivo. Faço coro às palavras do pesquisador e professor da Universidade Federal da Bahia Paulo Miguez, que expõe com detalhes a transformação do capital cultural da festa em capital econômico.

E por falar no Pelô, após minha apresentação, uma fã me perguntou quem era a grande estrela da cena Axé neste Carnaval. Sem pausa para pensar, disse que Ivete Sangalo, Claudinha Leitte, Margareth Menezes, Alinne e Amanda são as musas. Justifico: vejam como elas sabem cativar os foliões e conseguem dar continuidade ao canto Axé Music de maneira especial. E tem mais: arrasam em cima do trio e representam as Isis modernas do Carnaval, ou seja, são simbolicamente as expressões férteis do som carnavalesco mundial, já que a nossa festa atingiu esta condição global.

O Olhar de Lança permanece antenado. Até amanhã!

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Armandinho tem razão quando diz que tínhamos influência dos Beatles e Jimi Hendrix e queríamos fazer música com o tempero baiano. Hoje a preocupação é massificar e nada de boas influências.

Vamos ter mais um Carnaval sem encontro de trios na Praça Castro Alves. Pode anotar. E olhe que estamos comemorando os 60 anos deste invento fantástico. A praça é do vazio.

Cena da noite: enquanto tocava, um vendedor ambulante vendia um brinquedo que era lançado para cima e descia girando e cheio de luzes, dançando conforme a minha música.

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Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-Bahia

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SEGUNDA-FEIRA DE CARNAVAL

Um pouco de tudo

faz a alegria reinar

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 15 de fevereiro de 2010)

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Estou emendando o sábado com o domingo e o domingo com hoje, segunda-feira, penúltimo dia da festa. São poucas horas de sono. Digo isso para mostrar que vida de artista puxador de trio não é fácil como se pensa. Entre uma apresentação e outra, o tempo tem que render, uma vez que os compromissos paralelos pululam em alta velocidade. E para tudo funcionar de forma azeitada, um batalhão de profissionais entra em ação. Cordeiros, técnicos de apoio, seguranças, engenheiros de som e luz, músicos e motoristas possibilitam a alegria, não apenas o artista com o seu show.

Algumas horas perdidas do meu sono migraram para a logística da apresentação. Explico: tudo começa com os longos engarrafamentos no entorno dos circuitos, implicando deslocamento antecipado de aproximadamente duas horas. Aí vem a passagem de som e a liberação do trio. Para cada atraso de um minuto de quem está na frente, projeto, não linearmente, mais de cinco minutos para quem vem logo atrás. Como uma bola de nove, os últimos que desfilam acabam pagando pelo atraso dos primeiros.

De tanto assistir este filme, defendo a rotatividade dos horários de desfile. Se hoje um trio ou um bloco sai mais cedo, no Carnaval seguinte ele sairia mais tarde. Só assim, semearemos a democracia do tempo na festa. O atual modelo é bom para poucos. Façamos, então, sorteios de horários.

Outra coisa que poderia contornar esse problema relacionado ao tempo seria a inclusão de mais um circuito, assunto que vem sendo debatido nos últimos anos. Um novo circuito significa pulverização da festa e novas grades de desfile. Este debate tem que continuar.

Não poderia deixar de falar neste espaço do contentamento de Orlando Campos, que viu o seu Tapajós desfilar mais uma vez na avenida. Vestido de branco e com uma cartola prateada na cabeça, o idealizador da carroceria de trio agradeceu ao secretário Márcio Meirelles, ao governador Jaques Wagner, a mim e aos patrocinadores. O Trio Tapajós, sempre é bom reforçar, representa o Carnaval que valoriza o folião pipoca. Ano que vem tem mais Seu Orlando!

Por fim, levanto uma preocupação futura: se o terreno na Graça onde os trios se concentram for vendido, qual seria o espaço alternativo para comportar tantas máquinas da alegria? Pensem e me digam. O terreno em questão é particular.

O Olhar de Lança é a democracia da informação que A TARDE tem proporcionado. Até amanhã!

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A paz é o bálsamo da alegria

A civilidade chegou à festa. No sábado, no circuito Barra/Ondina, presenciei raras cenas de violência. Isso me deixa muito feliz, pois reforça que a paz é o bálsamo da alegria.

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Obrigado pela homenagem Betinho

Recebi das mãos de Betinho o Troféu Band Folia, uma homenagem aos 25 anos da Axé Music. Partilho este momento com todos aqueles que gastam da minha arte. Valeu Betinho!

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A varanda é o camarote 3333

O camarote Expresso 3333, que, em verdade, era a varanda de um apartamento, chamou a minha atenção. Os foliões sempre marcam presença com pérolas traduzidas em criatividade.

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ORLANDO TAPAJÓS e LUIZ CALDAS. Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-BA

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TERÇA-FEIRA DE CARNAVAL

Cenas com retalhos

de abadás e mortalhas

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 16 de fevereiro de 2010)

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Hoje termina a folia. Que pena! Quem ainda não dançou, não ficou com alguém, não beijou, não foi atrás do trio ou não viu o seu artista favorito, corra, pois ainda há tempo. Enquanto você corre em busca dos seus interesses, este escriba extemporâneo continua deixando a sua impressão, que é uma espécie de colcha de retalhos de mortalhas e abadas.

A fobica era pequena. O trio elétrico, hoje, é gigante. E daí? Bem, com a evolução destas máquinas da alegria, cada vez mais larga, alta e comprida, estamos na iminência de assistir a impossibilidade de deslocamento dos trios modernos pelas ruas do centro da cidade. Isso não quer dizer que eu seja contra a evolução, muito pelo contrário, adoro os trios modernos, principalmente pela qualidade do som e pela estética. A discussão aqui é o tamanho. A determinação de um limite máximo, dentro das normas estabelecidas pelos gestores do Carnaval de Salvador, poderia ser uma saída. Não adianta ter um Boeing se a pista de pouso só serve para teco-teco. Já presenciei trios presos em árvores, fiações elétricas e telefônicas. O resultado foi mais engarrafamento e mais atraso no desfile. E quando quebram? Aí é o caos, pois ninguém consegue mais ir e vir.

Quando passei pela Castro Alves na virada de domingo para segunda só toquei frevos que exigiram solos de guitarra baiana. Revivi o tempo do Carnaval trieletrizado. Um belo filme de encontros de trios, história de um passado recente, passou por minha cabeça. Porém a realidade era outra: eu estava sozinho. Os foliões resistentes e a estátua do poeta Castro Alves, esta com um possível olhar soturno, ficaram na esperança de mais um, mais dois ou mais três trios surgirem no topo da Ladeira da Montanha. Ledo engano. O passado é um filme em preto e branco, que, para ser revisitado em cores, urge uma série de ações conjuntas. Enfim, durmo tranquilo, pois a minha guitarra baiana, feita pelo lutier Elifas Santana, cumpriu a sua missão.

A maratona dos cantores de trio encontra guarida nos engarrafamentos na avenida. Parado por horas, o cantor tem que ficar agitando os foliões e haja gogó e repertório. No meu caso não há problema, pois tenho resistência e centenas de canções memorizadas, pois o baile foi a minha escola. Seria racionalizar o tempo dos trios que ficam fazendo shows particulares.

Dos três circuitos que passei tocando, a Barra representa a glamour moderno, o Campo Grande o primo pobre e o Pelô o lugar sagrado onde reina a essência cultural dos baianos.

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A paz do Gandhy ainda ecoa na avenida

O Gandhy é um capítulo a parte no Carnaval. No domingo à noite, no Campo Grande, o tapete branco do afoxé escondeu o asfalto e realçou a nossa tradição com banho de pipoca. A paz reinou ao som do ijexá.

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Reciclagem: a solidariedade de quem brinca

As milhares de latinhas de cerveja descartadas pelos foliões têm um fim garantido: a reciclagem. O lance positivo é a conscientização de quem curte, colaborando com os catadores, dando a lata em mãos.

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Frevo A Praça anima o Campo Grande

Cantei no Campo Grande com o parceiro Tom da Bahia (da dupla Tom e Dito) o frevo A Praça, canção também assinada pelo poeta Antonio Lins, presidente da Fundação Gregório de Mattos.

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Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-Bahia

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QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Levanta e sacode as cinzas

para o ano que vem

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 17 de fevereiro de 2010)

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Chego nesta quarta-feira de cinzas com o desejo utópico de rasgar a máscara que veste o apartheid da alegria que se estabeleceu no Carnaval de Salvador a partir do momento em que o lado lúdico se fez lucro. Ações neste sentido foram lançadas pela Prefeitura, com o Estatuto do Carnaval, e pela Secretaria de Cultura do Governo baiano, com o fortalecimento dos trios para o folião pipoca e o incentivo à cultura plural que a festa traz em si.

Tudo é válido quando se propõe a dar novamente ao povo o Carnaval que sempre lhe pertenceu. A festa tem condições de contemplar os dois interesses (histórico e econômico), não podendo, jamais, ficar refém do poder da grana que alimenta vergonhosamente o apartheid da alegria que aqui está estabelecido.

Ainda nas cinzas que voam ao sabor do vento desta quarta-feira, vi os reclames do amigo Carlinhos Brown, que sentiu na pele o que é ficar no final da fila e desfilar de madrugada para poucos foliões. Imaginemos a cena com um artista que não tem o apoio da mídia. Aí o fim da fila vira de fato o fim do poço. Brown deu até sorte, pois tocou no circuito Barra, hoje o predileto. Se fosse no circuito do Campo Grande a situação seria mais crítica.

Não passou despercebido por mim o trabalho de Aloísio Menezes, que vem conseguindo se posicionar bem na festa. Voz, repertório, qualidade musical e talento não lhe faltam. Quem também mostrou talento foi Juliana Ribeiro, jovem guerreira que desponta na cena do samba.

Sobre os 25 anos da Axé Music, só um lembrete aos desinformados. Quem pensa que a Axé Music é fruto do samba-reggae está totalmente equivocado e quer impor uma falsa história. Nos meus primeiros discos, antes de o samba-reggae ser massificado, gravei as canções Zorra, Salve o Negro Nagô e Minha Princesa. Neguinho do Samba não poderia deixar de fazer parte desta democracia. Está tudo datado e documentado em discos e em impressos.

Fechando, proponho que nos próximos dias, após uma sacudida nas cinzas decantadas nas lembranças de cada um, os atores sociais envolvidos diretamente na festa já podem traçar, em conjunto ou não, um panorama do que aconteceu de positivo e negativo neste ano. É o mínimo que se pode fazer com antecedência para evitar distorções futuras.

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Campanha contra o xixi na rua

Nota zero para a turma que urina na rua. Unidas, as cervejarias que investem na festa deveriam pensar numa campanha educativa, algo como: quem gosta de cerveja não suja a rua com xixi.

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Hino americano na levada do samba-reggae

Ainda repercute a homenagem que prestei a Neguinho do Samba, Jimi Hendrix, Michael Jackson e Barack Obama. O hino americano em solo de guitarra ganhou a levada do samba-reggae.

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A muvuca acabou e já deixa saudade

Acabou! Acabou!… Já estou com saudade da muvuca. Agradeço a todos que acompanharam o meu olhar crítico. Foi uma honra escrever para os milhares de leitores de A TARDE.

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Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-Bahia

OPINIÕES SOBRE O CARNAVAL BAIANO

15/02/2010
Ilustração de CAU GOMEZ

Seguem artigos dedicados à festa momesca, especialmente a da Cidade da Bahia, que foram publicados nos últimos dias na página de Opinião do jornal A Tarde, de Salvador.

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ENSAIO SOBRE O TRIO ELÉTRICO

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texto de PAULO COSTA LIMA*

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Pára o carro Olegário!! Não tá vendo que tá andando de banda? Mas Seu Osmar, o carro já quebrou há muito tempo, é o povo que está empurrando!

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O ensaio, como tradição literária, é esforço interpretativo. Mas o que dizer do trio? Tanta espetacularidade requer justificativa? Gostaria de fazer coincidir forma e conteúdo: um breve discurso com três pontas e uma síntese.

A primeira ponta é o frevo. Há uma ligação de umbigo entre trio elétrico e frevo. Dodô e Osmar tiveram a idéia de colocar a tal fubica na rua em 1951. Poucos dias antes, passara por Salvador o Clube Carnavalesco Vassourinhas de Recife, em direção ao Rio.

O frevo traz marcas afro-brasileiras indeléveis. Não tem nada de africano na melodia ou na harmonia, poderia ser tocado até como minueto! Mas os ritmos!!!

As idéias rítmicas impingem aos compassos da Europa acentos e tensões que são tipicamente brasileiros. Imprescindível para o espetáculo. Imagine se funcionaria com valsa? E a malandragem?

Mas aí surge um fino detalhe. E essa é a segunda ponta do argumento.

O carnaval que predominava nas ruas de Salvador até então era o do corso e dos préstitos — o desfile das beldades de elite com fantasias e acenos do alto de carros especialmente preparados para a ocasião. Consta que até ópera italiana rolou no Carnaval. O povo ficava na Barroquinha e na Baixa dos Sapateiros em cordões e afoxés.

Portanto, a presença da fubica, tocando frevo, era uma subversão enorme. E o cerne da subversão era que o frevo colocava como centro das atenções o próprio povo dançando. O corpo que todos têm.

Quem já assistiu à passagem de um trio elétrico trazendo em torno de si todo o repertório humano de um bairro popular saberá do que estou falando. Encantamento total na junção entre música e dança.

O calor e a euforia são tão grandes que alguns tiram a camisa pra rodar por cima da cabeça. Tem casais abraçados, crianças montadas no pescoço dos pais, gente de meia idade, mulheres em grupos, vendedores ambulantes vendendo e dançando, disputa pra ver quem faz a melhor pirueta, e aquele empurrão no meio do bolo… (era assim)

Os ritmos oferecem situações de equilíbrio e desequilíbrio, convocam o gingado — ‘só não vai quem já morreu’.

Portanto, naquela virada de 1951, algo mudava na Bahia do governador Octávio Mangabeira, figura ímpar de nossa vida política. Um ‘momento histórico’ proporcionado pela bolha democrática entre o Estado Novo e a ditadura de 64?

No modelo que daí surge, o espaço público vai ficar mais público. E essa energia vai favorecer uma qualidade musical diferenciada, embalada pelo virtuosismo do frevo, e pela “livre” aventura de botar uma música na boca do povo. Caetano, Tuzé, Moraes, Armandinho… E ecos mais recentes em Brown, Gerônimo e Lelis.

A terceira ponta relembra Manoel José de Carvalho. Para ele, as dinâmicas de rua são construções sociais com enorme peso histórico. Salvador teve 300 anos anteriores de cortejo de rua — com procissões e festas de paróquia.

O aparecimento do trio acaba mobilizando essa memória grupal histórica pela topografia da cidade. O trio se encaixa na dinâmica ancestral construída em torno do andor das procissões. É como se tudo estivesse pronto aguardando sua chegada.

Nos anos seguintes vai ocorrer um processo espetacular (e muito original) de design para a festa, da carroceria de um caminhão até os nossos fulgurantes monstrengos de hoje — grandes palcos ambulantes.

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Síntese: Hoje estamos em outro planeta: cordas, cachês e abadás. E mais: camarotes e celebridades. Ganhou-se em gestão, profissionalização e expansão. Perdemos em participação, diversidade e qualidade musical.

As músicas que ganham a mídia não ficam mais no ouvido durante anos, estão congeladas em sua funcionalidade do perímetro das cordas (raras exceções).

Será que o impulso democrático dos últimos anos, essa bolha que esperamos definitiva, vai ter a força e o discernimento para fazer brotar um outro modelo, com novos (e velhos) valores musicais?

Mais do que questão, uma demanda: multiplicar os ganhos (socializando-os) e potencializar a qualidade/diversidade cultural.

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*Paulo Costa Lima – Compositor, pesquisador-CNPq, professor da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, membro da Academia de Letras da Bahia

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NOVOS REIS, NOVO CARNAVAL

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texto de UBIRATAN CASTRO DE ARAÚJO*

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No ano de 2008, meu amigo Clarindo Silva foi escolhido Rei Momo. A celeuma foi grande. Um rei momo magro, onde já se viu? Em 2009, o escolhido foi Gerônimo que, apesar de gordinho, nada tem do modelito Ferreirinha: indolente, beberrão e comilão.

Este ano, o novo rei é Pepeu Gomes, um elétrico guitarrista. Estas escolhas marcam a ruptura do carnaval baiano com Baco e suas bacanais. Os novos reis devem ser ativos, produtivos e performáticos.

Esta mudança corresponde às mudanças que, ano a ano, viraram o carnaval de ponta a cabeça. Os carnavais de minha infância eram realmente janelas de alegria e de descontração que se abriam em um quotidiano regulado por uma moralidade religiosa e por todos os freios do conservadorismo.

Imaginem que naquele tempo era impensável um homem ou menino usar roupas coloridas, camisa estampada ou qualquer peça cor de rosa. Certamente ele seria agredido nas ruas com adjetivos nada gentis: fresco, florzinha, Florípedes.

No carnaval valia tudo, tudo era fantasia, com máscara ou sem máscara. Valia até sair travestido de mulher, e mesmo de “nigrinha”.

A liberação dos costumes permitiu que, o ano inteiro, as meninas saíssem da janela e fossem a luta no entre-e-sai e no esfrega-esfrega.

Até na música o carnaval era a salvação. O ano todo ouvia-se Cauby cantando algum drama comovente, tal como “ Conceição” ou com “Tarde fria, sinto frio na alma”. Só no carnaval podia-se ouvir o “Índio quer apito”, a “lambretinha” e a “mulata bossa nova”.

Não leiam mais Bakhtin, o carnaval não é mais a inversão da ordem. O carnaval ganhou e na Bahia é a ordem o ano inteiro! Longe de sumir no quotidiano, o carnaval é a cerimônia frenética e em tempo integral para a celebração da nova ordem. O Olodum tem razão: “Olodum tá hippie, tá pop, tá reggae, tá rock. Olodum pirou de vez!”.

No nosso novo carnaval, Eros expulsou Baco. Em vez de contestar a quaresma católica e afrontar a quarta-feira de cinzas (quase ninguém se lembra dela), o carnaval é o espaço para se vivenciar a saúde, a vitalidade, o prazer do corpo, o que os antigos gregos chamavam de Erótica.

Nesta nova ordem, os mais velhos são rigorosamente excluídos; ou vão para Pelourinho, ou chegam até um protegido camarote, ou ficam em casa assistindo pela TVE. Para nós, o carnaval é o voyeurismo; o prazer de ver os jovens gozarem!

Nesse novo carnaval, o rei Momo deve representar esta vitalidade erótica. Que Exu proteja Pepeu para que ele represente dignamente o seu papel!

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*Ubiratan Castro de Araújo – historiador e membro da Academia de Letras da Bahia

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UM CARNAVAL SEM CARNAVAL?

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texto de JORGE PORTUGAL*

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Cena número um: no estúdio da TVE, no Campo Grande, quinta-feira à noite, nove horas, eu e o Prof. Jaime Sodré já nos queixávamos dos não-acontecimentos da primeira noite de carnaval, quando à nossa esquerda, não mais que de repente, irrompeu aquele caminhão de luz, trazendo a dinastia Macedo, Armandinho à frente, e daí em diante foi contada a história do carnaval, através de todas as músicas que fizeram seu sucesso e glória. Pensei: “meu carnaval já está pago”.

Cena número dois: sábado, circuito Barra-Ondina. Os olhos já cansados de verem os mesmos blocos de trio – mudando apenas o cantor – já lá pras duas da manhã, se arregalaram em desmedida alegria quando despontou Luiz Caldas – o verdadeiro inventor dessa nova etapa do nosso carnaval. Vinha comandando o Trio Tapajós, como se um filme tivesse voltado trinta anos na minha memória. De repente, de novo, vejo um senhor de boné levantar-se com alguma dificuldade do andar superior do trio e acenar para mim: Orlando Campos, o homem que modernizou o “caminhão da alegria” e assegurou a festa do povo baiano, quando a festa ainda era de graça. Pensei: “agora já estou devendo ao carnaval”.

Cena número três: já pelas três da manhã, quando tudo parecia encerrado, um mar de gente negra, pobre, misturada – uma massa compacta em bloco que eu ainda não tinha visto até ali, invadiu o circuito da Barra vigiada fortemente pela Polícia e comandada pelo novo “Zumbi do carnaval”, Léo Santana. Parecia um quilombo de alegria vivendo sua apoteose no pedaço da classe média baiana. O Rebolation tomou conta de tudo e arrastou turistas, malandros, patricinhas, periguetes e avulsos, misturando arrocha e pagode numa música só.

Claro que vi também Ivete, Bell Marques, Timbalada, Daniela, e até recebi uma declaração de amor pública de minha ex-aluna Claudinha Leitte.

No dia seguinte soube de uma proposta que deseja privatizar o carnaval, em lugar fechado, com acesso apenas para a classe média alta e os turistas endinheirados. Mais parece uma volta aos bailes de salão, retomando a época do Baiano de Tênis e do Yatch.

Pensei: “vai ser uma festa sem Armandinho, Luiz, Orlando, Ilê, sem rebolation… e sem carnaval!

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*Jorge Portugal – Educador, compositor, apresentador do programa TÔ SABENDO, da TV Brasil

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O CARNAVAL DA DIVERSIDADE

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texto de CLAUDIA CORREIA*

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A Secretaria Municipal da Reparação (Semur-Salvador) lançou a quinta edição do Observatório da Discriminação Racial, em parceria com 30 órgãos e entidades. A intenção é distribuir material, observar e registrar casos de violência contra mulheres, negros, crianças e adolescentes e homossexuais.

Este ano o Observatório amplia sua ação incluindo atos de homofobia, devido às reivindicações do movimento que representa gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais. Uma conquista importante.

A presença de observadores sociais em postos de saúde, postos policiais, no carnaval de bairros e em hospitais de grande porte é uma novidade este ano. Além do posto central da Ladeira de São Bento, serão instalados mais três na Barra, em Ondina e no Campo Grande. O Disque 156 também receberá denúncias.

A ideia do Observatório foi inspirada numa ação do Movimento Negro para detectar situações de racismo durante o carnaval e subsidiar suas reivindicações junto ao poder público. No primeiro ano, foram registradas 128 denúncias de discriminação racial e de violência contra mulheres. Em 2007 o Observatório passou a identificar violações dos direitos da mulher, em parceria com a Superintendência de Políticas para Mulheres da Prefeitura.

Somos uma cidade plural, onde a diversidade enriquece a nossa convivência com os diferentes modos de vida. A intolerância e a violência ameaçam a democracia, violam direitos conquistados.

Os objetivos do Observatório Racial devem ser permanentes, seus resultados devem subsidiar programas de políticas públicas intersetoriais, o estatuto municipal da igualdade racial precisa ser criado, ações judiciais em defesa das vítimas de discriminação devem ser agilizadas, o projeto de lei que criminaliza a homofobia deve ser sancionado.

Assim, não só durante o carnaval, teremos uma política pública de reparação, uma cidade que se orgulha e respeita a diversidade. O Observatório é um passo importante neste processo.

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*Claudia Correia – Assistente social, jornalista, mestre em Planejamento Urbano e Regional

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SOBRE A FESTA

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texto de ANTONIO RISÉRIO*

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A festa é um fenômeno universal. Está presente em todas as épocas, sociedades, povos e culturas. É por isso mesmo que qualquer manual de antropologia sempre traz verbetes sobre cerimônias e rituais. Sobre a relação entre sacrifícios, oferendas e festas. Sobre a festa como parte do rito. Sobre os aspectos não-rituais e não-religiosos da festa. Sobre música e dança.

A festa é um hiato. É uma saída para fora da história. É uma quebra no encadeamento cotidiano das coisas do mundo. É uma suspensão delirante da rotina. É uma abertura, fenda ou brecha na sequência, na linearidade, no fio lógico da vida individual ou coletiva. São muitas, enfim, as definições, as interpretações que os estudiosos nos oferecem do fenômeno trans-histórico e transcultural da festa. Não raro, fazendo-a derivar do sagrado: a origem da festa estaria na religião, em tempos onde não havia uma separação entre festas sagradas e festas profanas.

Mas não vamos enveredar pelo mundo labiríntico das interpretações da festa. Fiquemos em plano mais simples, mais pedestre. O fato é que não há humanidade sem festa. Sem música, dança e canto. O amor da humanidade pelos floreios da voz e os meneios do corpo data de milênios. Sempre esteve presente em todos os cantos e recantos do mundo. Em todas as partes do planeta. Desse amor, nenhum povo ou comunidade escapou, escapa ou deseja escapar.

Bom exemplo disso são os índios que habitavam os trópicos atualmente brasileiros. Quando os europeus começaram a desembarcar aqui, às primeiras luzes do século 16, ficaram impressionados. Os tupis que circulavam pelos litorais brasílicos tinham, basicamente, duas preocupações: a guerra e a festa. Cabia às cunhas produzir o beiju de cada dia da aldeia. Porque os homens, quando não estavam trocando flechas e tacapadas, promoviam bailes. Com uma diferença fundamental. A guerra era empresa exclusivamente masculina. A festa, não. A festa era de todos.

Pero Vaz de Caminha, aliás, conta um episódio maravilhoso, ocorrido num domingo de abril de 1500, ao sol de Porto Seguro. Um grupo de índios dançava perto do rio, “sem se tomarem pelas mãos”. Diogo Dias meteu-se no meio deles e começou a tocar e dançar, fazendo com que todos se dessem as mãos. E assim se foi formando uma roda de dança, uma festa de mãos dadas, ao som da gaita medieval que ele tocava. Foi a dança do encontro. Neste bom sentido, podemos dizer que sim: o Brasil nasceu dançando.

Os africanos dançavam – e muito – na África Negra. E continuaram dançando do lado de cá do Atlântico Sul. De seus ritmos e coreografias nasceu o samba de roda do Recôncavo, que, por sucessivas estilizações, daria no samba raiado do Rio de Janeiro, uma das forças fundamentais da festa brasileira. Com os nagôs, vieram os orixás, descendo do orum para a Terra. Em dia de festa. É para isso que brilham os terreiros. Não há religião sem festa. Sem festa, os deuses não dançam entre os mortais. E os negros contribuíram ainda, aqui, para a articulação entre festa sagrada e profana. Como na festa do Senhor do Bonfim. No reinado de Iemanjá, na festa do Ano Novo, que se irradiou do Rio para todo o litoral do país. No Círio de Nazaré, o “carnaval devoto”, em torno da Virgem, em Belém do Pará.

Nossas grandes festas públicas, rituais coletivos de teatralização da sociedade, nasceram com essa mescla de sagrado e profano. Eram as festas barrocas dos séculos 17 e 18, que conheceram seu esplendor nas cidades do ouro, em Minas Gerais. Procissões de som e brilho, com carros alegóricos, alas disso e daquilo, ruas decoradas, que forneceram o modelo da grande festa pública brasileira. Especialmente, o modelo do carnaval, esplendorosa procissão neobarroca, como no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Mas nem só de grandes ritos coletivos vive a humanidade. Vive, também, de festas corriqueiras, de bailes “funks” a quermesses de cidades do interior. De um extremo a outro, estende-se a festa brasileira. Porque a festa é universal, mas tem seu modo de se manifestar em cada coletividade. E o nosso modo tem a ver com a nossa configuração cultural e formação genética. Com o nosso ambiente. Com o retrato que gostaríamos de fazer de nós mesmos. Com o nosso gregarismo. Com nosso corpo – e nossa alma.

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*Antonio Risério – Escritor

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O CARNAVAL DE RUA DA BAHIA

10/02/2010

Ilustração de SIMANCA

 

Um espetáculo de contradições

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texto de zedejesusbarreto

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O carnaval da Bahia sempre escancarou nas ruas de Salvador as nossas mazelas e delícias. As desigualdades e a alegria de nosso povo.

Uma anotação no diário do cientista Charles Darwin, em fevereiro de 1832, de passagem pela Bahia a bordo do famoso Beagle num domingo de carnaval, dá conta de um grupo de negros pintados de branco fazendo fuzarca nas ruas do Pelourinho, sacaneando e macaqueando os ‘patrões’.

Temos notícia das brincadeiras do corso e muito ‘mela-mela’ nos tempos do Império. Segundo estudos do saudoso Waldeloir Rego, ainda no século XIX já aconteciam os préstitos e desfiles de grandes clubes carnavalescos que perduraram até pouco mais da metade do século XX – como Fantoches da Euterpe, Cavaleiros de Bagdad etc…

Os jornais das primeiras décadas do século XX destacavam na cobertura da folia os desfiles na rua Chile, depois também na avenida Sete, e grandes bailes a fantasia nos clubes, enquanto ‘os pretos saracoteavam na Baixa dos Sapateiros’ (em nota de pé de pagina).

Macaqueávamos o Rio de Janeiro, a capital do país. As famílias colocavam suas cadeiras ao longo da avenida para ver os caretas, as fantasias dos endinheirados, a passagem dos ‘clubes carnavalescos’ com Nelson Maleiro e Gandhy à frente, e também o desfile das Escolas de Samba do Tororó, do Garcia, de Amaralina, da Liberdade…

A madrugada era das ‘lança-perfume Rodouro’, pierrôs e colombinas no salão ao som de marchinhas com orquestra ao vivo. Preto não entrava. O carnaval da negrada pobre (hoje chamada de afrodescendentes) era a batucada de rua, os cordões que saíam dos bairros populares, percussão pura, e alguns afoxés vinculados aos terreiros de candomblé.

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Atrás do Trio Elétrico

Só não vai quem já morreu

O carnaval de rua da Bahia se fez diferente a partir do Trio Elétrico, em 1950. Atrás do som eletrizado de Dodô, Osmar e Themístocles (depois Orlando Tapajós) foi a multidão, encantada. O preto e o branco, pobre e rico, grandes e pequenos, sem distinção, na enriquecedora mistura humana, em busca do prazer, fazendo e distribuindo alegria. Afinal, de que vale essa vida?

Nos anos 1950, com o advento do petróleo, do comércio, da Rio-Bahia, da Universidade, uma nova classe média assalariada e mulata fez-se ouvir, ocupando espaço, criando alternativas de vida e de folia, como os clubes populares (Comercial, Palmeiras da Barra, Periperi…) e ganhando as ruas com novas manifestações de brincadeiras de rua no embalo do trio, já com patrocínios da Fratelli Vitta, da cachaça Jacaré, etc…

A mestiçaria dos bairros populares criou os blocos de índio – Apaches, Comanches, Tupys. A brancalha metida tinha medo das flechadas, dos tacapes nas ruas. Como até hoje os poderosos de plantão temem a Mudança do Garcia e tentam amordaçá-la com a força dos cassetetes ou das ideologias militantes…

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Eu sou negão, sou negão e

meu coração é a liberdade

Outra grande virada no carnaval de rua baiano aconteceu na década de 70, definitivo. No embalo da Tropicália, do eco e da ânsia de liberdade dos anos 60, do aproveitamento do turismo como atividade lucrativa, do amadurecimento do movimento negro, ressurgiram os grandes afoxés, os trios tornaram-se grandes palcos de som e luz em movimento e apareceram os blocos afros – Ilê Aiyê e Badauê, os pioneiros. Black is beautiful!

Se os brancos de classe média tinham instituído entidades exclusivas, onde só podia desfilar gente de pele clara, morador de bairro chique – como Os Internacionais, os Corujas… – os negros também podiam, orgulhosos de sua cor, de seus cabelos, de suas origens. E assim criaram suas entidades, com seus tambores, suas histórias ancestrais, sua baianidade, sim sinhô!

E grandes multidões foram tomando, ano a ano, as ruas da cidade. O poder dos trios mostrava-se grandioso e magnético. O carnaval da Bahia exibia sua nova identidade para o país. Suas diferenças, peculiaridades, sua magia.

E logo começaram as rusgas por espaço na avenida: os grandes blocos, endinheirados, com seus trios privatizados, suas cordas, seguranças ameaçando, tentando esmagar os batuqueiros, afro e afoxés com seus alto decibéis e muito empurra-empurra.

A música iluminada de Gerônimo ‘Eu Sou negão’ é o registro do choque racial, cultural, econômico e social escancarado na rua.

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Fricote de bairro pobre

carimba o estilo ‘axé’

O nome ‘axé music’, criado na década de 80 a partir da reação preconceituosa de grupos de jovens roqueiros brancos aos batuques negros que ecoavam pelos becos e quebradas da cidade é bem a cara desse conflito étnico e cultural que Gerônimo cravou com a lucidez de sabido mulato do recôncavo.

O menino Luiz Caldas (recém-saído do Trio Tapajós, do grande Orlando) estourou no verão com uma música de rua parida de misturas rítmicas bem afrobaianas e uma letrinha ousada (parceria com Paulinho Camafeu), baseada numa brincadeira preconceituosa típica dos guetos da cidade, que dizia:

Nêga do cabelo duro/ que não gosta de pentear/ quando passa na Baixa do Tubo/ o negão começa a gritar/ pega ela aí, pega ela aí… pra quê?’ …

O bicho pegou, a galera dos bairros criou uma dança bem sacana para o canto do guitarreiro Luiz e o nome ‘axé music’ veio a calhar, começou a ser usado na grande imprensa e pegou. Foi um sucesso e um marco também. O tal ‘fricote’ foi pro Chacrinha, virou dança nacional, e a ‘axé music’ ganhou espaço, adeptos, cantores, compositores, sucesso. No embalo, a gravadora WR abriu as portas e investiu na sonoridade baiana, a novidade de então na pasmaceira da MPB.

Daí, nos anos seguintes, os músicos dos trios viram estrelas nacionais, os Trios Elétricos tornam-se definitivamente uma referência da arte e da cultura baiana, abrindo um flanco no mercado e alavancando artistas e bandas que até hoje fazem o carnaval da Bahia.

Os trios se aperfeiçoaram, atingiram uma sofisticação tecnológica impar, tornaram-se verdadeiros estúdios em movimento, transformaram-se em enormes máquinas de som, luz, alegria e dinheiro, muito dinheiro. Para alguns. A Avenida Sete ficou estreita para os ‘novos dragões’ que nem cabem, nem chegam mais à Praça Castro Alves. Como o luxo, a sofisticação dos grandes trios, hoje empresas, companhias a serviço de grandes blocos de ricos e turistas também não cabem mais na mistura popular da avenida, da praça do poeta e do povo. A ralé fica espremida a mercê do arrastão das grandes bandas que passam tremelicando os velhos sobrados do centro antigo da cidade.

Assim surgem os camarotes. Para que os abonados possam ver de cima os espetáculos das estrelas nos grandes trios, no conforto, no esbanjamento das regalias a que têm direito, porque têm dinheiro. Os camarotes do circuito Barra-Ondina significam mais um divisor. Como eram os clubes sociais chiques de antigamente. Segregação pura, dirão. Mas o retrato de nossa sociedade. Não?

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No carnaval 2010

o modelito passado

Na virada do século, o carnaval de rua da Bahia globalizou-se, internacionalizou-se. Hoje é a maior mercadoria baiana, que impulsiona a chamada indústria do turismo. Os hotéis estão cheios, cada ano.

Tem Internet, tudo em tempo real, transmissões ao vivo por canais de tevê abertos e fechados, o espetáculo ao vivo para o mundo, um grande festival de estrelas e magia com seis dias de duração, uma dinheirama incalculável girando, as atrações de sempre prevalecendo em função do mercado que é controlado pelos próprios. Entonces, pra que mudar?

As contradições e discrepâncias persistem e se aprofundam com esse modelo mais que excludente, onde o espaço popular se amiúda. As batucadas de bairro, os cordões sumiram. Os caretas, os foliões esconderam-se. Todos correm atrás de patrocínio público. Os privados já estão com os privados. Os blocos afro e afoxés mendigam trocados, espaço e horários dignos para mostrar suas artes nas ruas.

Já o povão… bem, esse trabalha duro, oprimido, espremido, explorado, agredido e ainda assim acha um jeito de se esbaldar. Afinal, baiano é baiano, pô!

O turista avermelhado pelo sol arregala os olhos e o nativo ‘na pior’ mira o celular de grife e o cordão de ouro dele, o outro olho na PM. Tem churrasquinho de gato empoeirado nas quebradas e também champã francês servido por garçom engravatado bem ali adiante. Sente o cheiro?

Esse é o modelito. Ainda não achamos ou não queremos (?) outro. Nem discutimos.

Estrelas brilhosas, astros internacionais, pagodeira infame, tambores dos deuses, politicagem nos camarotes oficiais, violência em cada metro quadrado, trambiques e grades, fartura e fome, todas as drogas, mil interesses, sexo a rodo, uma trabalheira dos diabos para muitos, arrogâncias e pobreza, beleza e insanidades, mijo na latinha e publicidade em cada poste… Uma festa! Deus e o Diabo na Terra do Sol.

Dançamos e tropeçamos.

O nosso carnaval é de misturas e diferenças, desigualdades e celebrações.

Porque isso é a Bahia, está nas ruas, é história. Luxo e miséria, ali no Pelô, Patrimônio da Humanidade.

Na folia, tudo está explícito, nas fuças, caviar e crack, a servir. Paetês e bunda de fora. Heliporto próximo ao camarote e isopor imundo na cabeça, beijo na boca e bala perdida.

Senhor do Bonfim que nos cubra e nos proteja. Que os nossos orixás cuidem da alegria, não permitam o pior. Até a tarde de quarta-feira, quando tudo vira cinzas.

Laroiê!

Peço licença, com todo o respeito. Ele é o dono do furdunço.

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zedejesusbarreto, jornalista, baiano e escrevinhador.

zedejesusbarreto@uol.com.br

10fev/2010.

OS SESSENTA CARNAVAIS DE ORLANDO

01/12/2009

ORLANDO CAMPOS DE SOUZA, o ORLANDO TAPAJÓS, criador do trio elétrico Caetanave no carnaval baiano de 1972. Foto: XANDO PEREIRA | Agência A Tarde 15.2.2006

de JORGE PORTUGAL*


Foi emocionante demais. Acho até que há muito tempo não vivia uma emoção daquele tamanho.

Cena: Luiz Caldas, no estúdio da TV Bahia, preparava-se para gravar o seu depoimento sobre os 60 anos do trio elétrico. Eis que, de repente, chega “seu” Orlando Tapajós, convidado para a mesma finalidade e, ao encontrá-lo exclama:

Meu Deus, meu filho está aqui! Meu filho adotivo que eu não via há muito tempo!

Os dois se abraçam e logo depois Luiz pega o violão e sola um dos grandes hinos do carnaval baiano, dos áureos tempos do Tapajós. Orlando apoia-se na bengala que lhe garante o precário equilíbrio e, com os olhos perdidos em algum lugar imaginário, gesticula, solfeja, quase dança, e entrega sua emoção a um momento que já não estava ali, mas que permanecia em todos nós, eterno, como um tesouro escondido no fundo de nossas melhores saudades.

Choramos todos. Eu, Sérgio Siqueira, Isabela, Fred Góes, todos os cinegrafistas e técnicos presentes naquele instante.

Em seguida, o nosso querido “velho” deu fortes asas à prodigiosa memória e passou a nos contar, com surpreendentes detalhes, a história do Trio Elétrico, a mais genial contribuição da civilização baiana para a alegria do mundo.

Falou-nos do período heroico, que vai da invenção, por Dodô e Osmar, em 1950 até 1959, quando a famosa dupla retira-se do carnaval por um bom tempo. Daí em diante, coube a ele, Orlando, assegurar a alegria do povo com o seu trio elétrico Tapajós, patrimônio da memória afetiva de dez entre dez baianos que tenham mais de quarenta; relembrou a importância do frevo Atrás do Trio Elétrico, de Caetano, projetando o trio em todo o país e trazendo de volta Dodô e Osmar ao carnaval das ruas; a homenagem que Caetano receberia dele, Orlando, com a construção da Caetanave, mistura de disco-voador e usina de som, que superaria em muito as nossas mais loucas visões lisérgicas.

Orlando, juntamente a Dodô e Osmar, deveria ter estátua em alguma praça da cidade. Mas não têm.

Que, pelo menos, no ano que vem, Luiz, Orlando, Armandinho e Moraes tenham um digno direito às ruas e possam mostrar à turma da “alegria ensaiada” a grandeza de um carnaval, hoje transformado em grande negócio.


*Jorge Portugal – Educador e compositor

secretaria@jorgeportugal.com.br