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CIDADE DA BAHIA NA VISÃO DE SIMANCA

19/12/2009

OSMANI SIMANCA: Santa Clara, Cuba, 1960. Licenciado em artes plásticas no Instituto Superior de Arte em Havana. Seus desenhos têm sido publicados em The Best Political Cartoons of the Year, 2006, 2007, 2008. Cagle Edition, USA. Dentre seus premios destacam-se o The United Nations Correspondents Association, Ranan Lurie Political Cartoon Award for the Year 2004. New York, USA e o Greekartoon. Ministério Helénico de Cultura. Atenas, Grécia. Primeiro prêmio World Press Cartoon 2009, Sintra, Portugal. Desde 1995 mora no Brasil onde se naturalizou brasileiro. Chargista do jornal A Tarde.

SIMANCA mantém com seus colegas ilustradores de A Tarde CAU GOMEZ e BRUNO AZIZ o blog O FERRÃO DO HUMOR:

http://oferrao.atarde.com.br/

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CENAS BAIANAS por FERNANDO VIVAS

18/11/2009

O jeito baiano de estar e existir pode ser apreciado nos flagrantes colhidos pelo grande fotógrafo FERNANDO VIVAS e que estão disponíveis não só nas páginas do jornal A Tarde, de Salvador-Ba (www.atarde.com.br), mas também em publicações nacionais e em seu blog, Olho da Rua (www.olhodarua.blogger.com.br/), de onde salvei algumas imagens que colhi ao acaso para expô-las aqui.

Esta galeria de Fernando Vivas começa com um post e sua respectiva foto reproduzidos do blog Olho da Rua, com data de 20.11.08, e segue com outros flagras da Cidade da Bahia publicados no ano passado e em 2009 (as datas nas legendas correspondem ao dia em que as fotos foram postadas por Vivas).

Espero que esta amostra sirva de estímulo para as pessoas visitarem o amplo acervo do blog de Vivas, inaugurado em 1º de junho de 2003.

Quinta-feira, Novembro 20, 2008

Cidade Baixa

Tânia Maria, José e os filhos em sua casa debaixo do Viaduto dos Motoristas, na Baixa do Fiscal.

Cidade Baixa. Foto: FERNANDO VIVAS – 20.11.08

 

Largo Dois de Julho. Foto: FERNANDO VIVAS – 23.10.08

 

Itapajipe. Foto: FERNANDO VIVAS – 8.1.09

Barbalho. Foto: FERNANDO VIVAS – 23.4.09

Ribeira. Foto: FERNANDO VIVAS – 23.11.08

Barra. Foto: FERNANDO VIVAS – 27.8.09

Terreiro Oxumarê. Foto: FERNANDO VIVAS – 21.10.09

Dia de Santa Bárbara. Foto: FERNANDO VIVAS – 4.12.08

Feira de São Joaquim. Foto: FERNANDO VIVAS – 24.6.09

ZÉ CELSO SE OPÕE A CAETANO, COM AMOR

11/11/2009

Maísa Paranhos, colaboradora do Jeito Baiano, chama a atenção para o texto que o diretor teatral, dramaturgo, fundador e líder do Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, escreveu comentando a mais recente entrevista de Caetano Veloso.

Zé Celso se diz surpreso com a interpretação que “meu adorado Poeta Caetano” deu a Lula ao abrir seu voto a Marina Silva. Mas para o Zé o contraditório é bem-vindo – “que surjam perspectivas opostas” –, ainda mais partindo de Caetano, seu companheiro do movimento Tropicália, a quem agradece no final pela oportunidade de expor tudo que sente “do que estamos vivendo aqui agora no Brasil”.

O texto de Zé Celso foi extraído do blog da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona 50 anos:

http://blog.teatroficina.com.br/

ze_celso

JOSÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA

7 de novembro de 2009

TROPICÁLIA

SOB O SIGNO DE ESCORPIÃO


por JOSÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA

No mesmo dia que Caetano fazia sua entrevista de capa, muito bela como sempre, no “Caderno de Cultura do Estadão”, o Ministro Ecologista Juca Ferreira publicava uma matéria na Folha na sessão Debates. Um texto extraordinariamente bem escrito em torno da Cultura, como Estratégia, iniciada no 1º Governo de Lula ao nomear corajosa e muito sabiamente Gilberto Gil como Ministro da Cultura e hoje consolidada na gestão atual do Ministro Juca. Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto.

Por outro lado meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto pra Marina Silva.

Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.

Percebi isto ao prefaciar a tradução em português criolo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: “Brutality Garden”, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira na Tulane University de New Orleans.

Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente Antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetês, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.

Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das relações exteriores, Marina Silva para o meio ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.

Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado Oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a “res pública”. Tudo dentro dum futebol democrático admirável de cintura. Lula não para de carnavalizar, de antropofagiar, pro país não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.

Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho. Por exemplo quando convoca os jornalistas da Folha de São Paulo a desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A Interpretação da Editoria é a do Jornal e não a da liberdade do jornalista. Aí, quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando aceita aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por seu assassinato como Minotauro, Ariadne. É realmente um transformador do Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio Caetano.

Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos, santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus como ele mesmo diz. Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num Teatro Grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, Lula é um Intérprete dela: a Vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômemos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?

Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula: Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5 dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e incluir o binômio Cultura & Educação.

Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto contra a descriminalização do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre de mim, chumbado por um enfarto grave, sonhando com um coração novo, deixei de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na “Estrela Brasyleira a Vagar – Cacilda !!” para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendo este programa tétrico.

Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria política mais importante desta era de mudanças. “Amor Ordem e Progresso”. O Amor guilhotinado de nossa Bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e Progresso, só.

Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta calegoria de laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o amor a coisas comuns a todos como a sagração da natureza, a liberdade e a Paixão pelo Amor Energia, Santíssima Eletricidade. Sinto que nestas duas pessoas que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do governo Lula, ainda não caíram.

A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho que quando tiver férias da Presidência vai decicar-se a estudar e apreender mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina. Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega a hierarquia máxima do Teatro: a que corresponde ao Papa no Catolicismo: o Palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é a toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.

Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação divina dos brazyleiros. Esta “estasia”, Amor-Humor, na Arte, que resulta em sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que Exista!

Lula faz Política Culta e com Arte. Sabe que a Cultura de sobrevivência do povo brasileiro não é Super, é Infra Estrutura. Caetano sabe disso, é uma imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de novo, dentro de nós todos mestiços brazileiros. Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui agora no Brasil, que hoje é um País de Poesia de Exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:

Vício na fala

Pra dizerem milho dizem mio

Pra melhor dizem mió

Para telha dizem teia

Para telhado dizem teiado

E vão fazendo telhado”


Zé Celso

SamPã, 6 de novembro

sob o signo de Escorpião

sexo da cabeça aos pés

minha Lua de Ariano

EVOÉROS


NOTA DO EDITOR – Este post liga-se diretamente a dois outros que estão mais abaixo:

https://jeitobaiano.wordpress.com/2009/11/06/as-ultimas-de-caetano-veloso/

https://jeitobaiano.wordpress.com/2009/11/09/la-vem-de-novo-o-mano-caetano/

CIVILIDADE BAIANA EM QUESTÃO

29/07/2009

lengalenga02

 

É SÓ O JEITO BAIANO DE SER?

 

por EDMUNDO CARÔSO*

 

Baianos. Nossa fama de preguiçosos e indolentes vai longe, o que é uma injustiça. Trabalhamos feito mulas, mas o jeito baiano de ser, e quanto a isso eu concordo, não só dá margem para especulações descabidas desse tipo como torna, por exemplo, o serviço que oferecemos aqui muitos níveis abaixo da maioria dos estados do Brasil. A urgência na Bahia é quase uma utopia. E aí reside o problema.

Algumas coisas são muito estranhas para quem não vive aqui.

Por exemplo. Você chega numa lanchonete, se acerca do balcão e lá só tem uma atendente conversando com alguém. Em qualquer lugar do mundo, ela iria parar a conversa, atender o cliente e depois voltar para seu lenga-lenga. Em outros, como São Paulo, nem direito a conversar teria sob pena de ir para o olho da rua. Mas aqui não. Você vai ficar plantado ali feito uma jaca mole até que ela termine de contar a sua amiga como foi a gravação do DVD do Chiclete ou coisa que o valha. E não adianta sacar da cartola seus ares de contrariado pois cara feia pro baiano é fome, faz o mesmo efeito que um placebo.

Se a mocinha gostou do show, você vai ter de esperar. Veja se tem cabimento a sua fome ou a perspectiva de lucros do dono do negócio (e até mesmo a manutenção de seu padrão de qualidade) sobrepujarem em prioridade o show do Chiclete ou mainha, lá deles, abaixando e levantando numa letra de pagode? E não adianta interferir, perguntar nada. Pois ela vai lhe fulminar com um olhar de desprezo diante de tanta inconveniência. Você não tem educação? Será que não vê que ela e sua amiga estão conversando?

Se você for paciente e souber das coisas vai esperar quietinho até que ela termine, quando então, se der sorte e caso ela não tenha levantado com o pé esquerdo, vai se surpreender com o tratamento carinhoso e atenção redobrada que terá.

Dois exemplos práticos que definem o jeito baiano de ser podem ser dados explicando o uso das expressões VUMBORA (contração de vamos embora) e AONDE!!!! (assim mesmo, com várias exclamações). As duas são sinônimos de nunca, aplicadas de formas diferentes.

Vumbora, em uma de suas utilizações práticas não quer dizer absolutamente nada o que – pelo menos aqui – é o mesmo que dizer muita coisa desde quando você seja bom leitor de entrelinhas. Por exemplo.

*Edmundo Carôso é letrista e poeta baiano, parceiro de geração de Carlinhos Brown, Luiz Caldas e Daniela Mercury, com quem trabalhou até seu mega sucesso em O CANTO DA CIDADE. Vive em Salvador, já colaborou para jornais do interior e capital, publicou dois livros de poesia. Tem perto de 100 músicas gravadas em sua discografia, sendo a mais conhecida delas o clássico de carnaval, há mais de 20 anos feito com Carlos Pita: COMETA MAMBEMBE.

COMENTÁRIO DE JARY CARDOSO 

O texto “É só o jeito baiano de ser?”, primeiro de uma série, foi postado em 17.11.2008 no blog de Edmundo Carôso, DE MIM E DAS COISAS, que vale a pena visitar:

http://blogs.abril.com.br/edmundocaroso/

A questão tratada por Edmundo Carôso neste texto é parte de um amplo debate que o blog Jeito Baiano pretende desenvolver na busca de uma definição de civilidade autenticamente baiana, que incorpore padrões de comportamento social dos povos mais desenvolvidas, mas sem perder a ginga, a alegria, o bom humor e a maneira saudável de os baianos viverem.

João Gilberto dizia que o povo da Bahia não precisa de psicanálise. E talvez isso seja verdade justamente porque aqui as pessoas conversam tanto, se abrem tanto umas com as outras, comentam tanto a própria vida e a vida alheia, é tanto fuxico, tanta fofoca psicoterapêutica que não sobra espaço para as neuroses.

Antonio Risério uma vez comentou que os baianos chegam atrasados aos compromissos por causa das longas e boas conversas que não podem ser interrompidas sem mais nem menos. Mas a conversa é assim tão sagrada a ponto de prejudicar a prestação dos serviços e o atendimento da freguesia? É o que Edmundo Carôso está questionando.

Esta discussão sobre (in)civilidade baiana foi iniciada neste blog pelo post-hit “Mijar ou não mijar na rua, eis a questão”: 

https://jeitobaiano.wordpress.com/2009/04/17/mijar-ou-nao-mijar-na-rua-eis-a-questao/