O NOME DA PONTE SALVADOR-ITAPARICA

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texto de JOSÉ NOGUEIRA*

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Acompanho, com cuidado, as propostas para a ponte que se pretende estender por sobre a Baía de Todos-os-Santos, para interligar os tramos Sul e Norte da BR 101, atualmente conhecida como Ponte Salvador-Itaparica.

É notório que uma ponte ligando os dois municípios Itaparica (e não Vera Cruz) e Salvador é e será por muito tempo inviável economicamente – tal ligação, na escala em que acontecer, não pagará os custos de construção e, com base e propostas já vistas, os de manutenção.

O que razoavelmente seria uma estrutura simples sobre a água, pesadeleia cada dia como se fora um monumento pretensioso e caro. Vãos enormes, muitos deles estaiados, pensados em navegação atípica, em nada contribuirão para o bom senso na Arquitetura e Engenharia baiana (ou nacional, ou internacional, como queiram).

O traçado mais coerente é ao fundo da Baia (N/NO), em cotas batimétricas da ordem máxima de 20m, sobre fundo de areia, com tabuleiro baixo, isto por que:

  1. Luz (entrevão do subtabuleiro ao nível do mar) acima de 50m é desperdício – passar porta-aviões? Qual? o São Paulo (ex-Foch)? Para que? Não há como docar casco tão grande na Base Naval de Aratu. Bem, quem sabe um CVAN (porta-aviões de ataque, de propulsão nuclear) desses americanos um dia quebra uma peça aqui perto e… podem quere uma gambiarrazinha…

Quanto a outros navios, essa altura é suficiente, já que, na posição de fundo da baia só passarão sob a ponte os que usam o Terminal de Madre Deus.

  1. A opção por águas menos profundas requer pilares submersos curtos que apresentam menor resistência às correntes marinhas (que no fundo da baia são mais fracas – menor volume d’água/tempo)
  2. Vãos maiores que 240m não são necessários, a não ser como exercício estrutural ou para aumentar o custo de manutenção (que não será pequeno e implicará em pedágio caro); todavia, para gáudio de poucos, justificariam formas escultóricas e estais de aço, provavelmente inoxidável (o aço).
  3. Ainda sobre estais – há velocidades de ventos nos rumo S e SSE e também NE que chegam a 26 kt (44kmn/h) que provocarão vibrações harmônicas de baixa frequência, o que, além de causar mal estar podem contribuir para colapso lento das estruturas e suas ligações; isso sem falar que tabuleiro de perfil reto, na altura e extensões propostas, por efeito do teorema de Bernoulli poderá fazer com que tais estais, em regime de vento forte, não funcionem – pode haver empuxo negativo do tabuleiro pela subpressão causada sobre sua face superior pelo fluxo eólico. (como uma asa de aeronave)

Há solução simples e prática para fazer uma ponte; entretanto, seo o que querem (quem) é um monumento que o projeto fique por conta de quem assim pensa.

Em 1984 foi publicado em A Tarde um estudo sobre A Ponte, com o seguinte traçado:

– saída FORA do perímetro urbano da Salvador a partir de um trevo a completar na BR 324 na altura do acesso À base Naval;

– duplicação da estrada da Base Naval, com correção do eixo passando por cima da “boca da Baia de Aratu” a 60m de altura, atingindo o sistema viário existente co CIA Norte;

– duplicação da via do CIA Norte até perto de Madre de Deus;

– ponte com 1600m da linha de costa de Madre de Deus até a Ilha dos Frades (posto de pedágio)

– ponte com 10.960m, sobre águas rasas, com vãos de 120m e um central de 200/240, atingindo a Ilha de Itaparica no município do mesmo nome, na Fazenda Mocambo (governo do Estado)

– daí, rodovia nova pela contra-costa da ilha até a ponte do Funil, duplicando-a e a rodovia seguinte até o entroncamento da BR 101.

Mas o assunto era o nome da ponte, ou, do monumento?

É assunto para plebiscito e não agora; definamos primeiro o que como fazer; daí o nome não será uma piada.

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*José Nogueira – Arquiteto urbanista, no mercado há 39 anos, trabalhando com infraestrutura urbana (Conder – 1980/1999), atuando no momento como professor do curso de Arquitetura da Universidade Salvador (Unifacs)

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Uma resposta to “O NOME DA PONTE SALVADOR-ITAPARICA”

  1. Florentino Silva Neto. Says:

    Bom dia, Nogueira. Vc sabe que eu também sou usuário desse pernicioso sistema chamado Ferryboat e tão mal administrado por essa tal TWB. Li o seu assunto e realmente vc colocou tecnicamente muito bem essa questão. Apenas eu gostaria de saber quantos quilômetros nós economizaríamos nesse percurso sugerido por vc. Torço para que saia de qualquer ponto ou de cá ou de lá, mas que nos livremos desse malfadado ferryboat que tantos maus momentos tem nos proporcionado. Parabenizo vc por essa explanação. Um grande abraço, Tininho

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