A PEDOFILIA EM QUESTÃO

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O sexo na Igreja

sempre foi tabu

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texto de Zédejesusbarrêto*

(especial para o Jeito Baiano)

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O embrulho ‘sexo e religião’ não vem de agora. Religiosos, família e sociedade sempre se recusaram a abri-lo, por medo ou vergonha de desatar os nós. Há muita hipocrisia empacotada. A maior delas em torno da sexualidade humana. Somos seres sexuais, desde pequeninos, Freud sabia.

O bebê se excita quando a titia safada mexe no seu ‘piu-piu’, de gracinha. Não há maldade, mas olhe o pintinho duro! A menina de sete aninhos se esconde pra ver o namoro da irmã mais velha e sentir na ‘quita’ o gosto da quentura. Sem malícia, só pela gastura. Crianças a sós fazem ousadias, esfregam-se, e o fazem porque é bom, coisa de pura natureza.

Foi assim na minha infância, sob o rigor de uma educação castradora, quando nem se podia escutar conversa de adulto… imagine hoje, com tanta permissividade e reboleichons na TV, internet, hum?

Na pré-adolescência, entre 10/12 anos, a sexualidade explode, é a época das descobertas. O menino aprende a se masturbar, até olhando a própria mãe, e a menina é um poço de curiosidade, sentimentos e emoções secretas. Os meninos enrubescem, as meninas se enfeitam. Apaixonam-se, escrevem diários, têm medo mas querem experimentar, sonham com aquele gozo. Adolescência é tormento de prazeres, inseguranças e silêncios coloridos.

Imaginem o peso da culpa e do pecado, conceitos religiosos, nesse período. Os padres também viveram esses conflitos, muitas vezes não resolvidos.

Fui seminarista. Num internato com centenas de adolescentes e adultos convivendo, o sexo aflora, incontrolável. A pederastia (era o nome) campeava entre meninos, e entre padres e meninos. Libidinagem escondida no medo, mas todos sabiam ‘quem comia quem’.

Namorar com meninas era mais proibido do que a ‘brincadeira’ com o colega. Depois, contava-se o pecado ao confessionário e zerava a culpa com o Deus punitivo, mas o padre ficava ciente de tudo e, dependendo de sua índole, agia, atacando a presa, geralmente uma criança indefesa.

Conheci e conheço padres retos, justos, de fé. Mas vi alguns se valendo da autoridade para aliciar guris. Conheci vigários de hábitos gays, outros taradões. Uns resolvidos, outros não, até aqueles que a abstinência subiu pra cabeça, enlouquecendo-os. O celibato é sim um problemão para muitos. A santidade é uma meta, pouco alcançada.

Mas é preciso dizer também que tem pastor, juiz, atleta, jornalista, professor, militar, político, homens e mulheres, índios, brancos e negões, de todas as idades e classes… com suas taras. Muitos se sentem atraídos, até de forma doentia, por carnes tenras. Há freiras lésbicas, sim, que curtem menininhas.

Sempre assim foi, desde que o mundo é mundo, na Grécia socrática, na Roma dos Césares, nos conventos/castelos medievais, na França de Richelieu, na Alemanha nazista, por baixo dos véus islâmicos, sob a barba de Fidel, em nome da bíblia, nas muralhas da China…

O pior, nos casos dos reverendos da ‘Madre Igreja’ é a ‘moral de jegue’ católica. O tal ‘vício sexual’ não é exclusivo de nenhuma crença, cada uma com suas virtudes e maldades.

No candomblé, por exemplo, o sexo é mais solto pela ausência do conceito de pecado, mas nem por isso se deve comer criancinha nos terreiros.

A infância há de ser cuidada e respeitada, amada. O sexo de um adulto com uma criança será sempre uma violência, um ato de sujeição e covardia, onde for, quem seja o agente. É crime. Entre os muros da Igreja o tema é um velho tabu.

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*Zédejesusbarrêto – Jornalista, ex-seminarista

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