A CARA DA BOA VIAGEM

A Praia de Boa Viagem e ao fundo o Forte de Mont Serrat. Foto de JOÃO ALVAREZ | Agência A Tarde - 11.11.2009

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texto de JOLIVALDO FREITAS*

(especial para o Jeito Baiano)

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O bairro da Boa Viagem foi palco de lutas sangrentas entre os índios tupinambás e os portugueses. Entre os tupinambás e os tupiniquins. E entre portugueses e baianos.

Até hoje o boaviagiano estufa o peito de orgulho por nunca ter sido dominado por ninguém e ter colocado para correr até franceses (estes nem de tanta importância assim, guerreiros acavaleirados que são, do tipo de fazer uma reverência antes de enfiar a espada e com isso levar bodurna no cocurutu) e holandeses (estes sim, guerreadores raciados com Thor que matavam sem pena nem dó e sem remorso).

Claro que os maledicentes e invejosos da Massaranduba, Uruguai e Ribeira dizem que tudo não passa de ficção, mesmo que o Mont Serrat seja nome francês e o forte que empresta o seu nome – embora os mais íntimos o chamem de Castelo de Tapagipe – tenha sido onde os holandeses foram postos para correr. São provas das lutas incessantes de que o povo da Cidade Baixa participou, ganhando sempre.

É justamente esta mania de ganhar que às vezes cria problemas para os boaviagianos.

Agora mesmo estão batendo de frente com o prefeito João Henrique. O homem fez um projeto de reurbanização da área – que convenhamos está degradada – mas como não explicou direito vem recebendo bordoadas de todos os lados, pois o pessoal da área, acostumado a lutar, não se conforma em ficar passivo quando se trata de uma boa luta e ainda mais se for por uma boa causa.

Como eu disse, o orgulho do povo da área vem também de outras questões que não somente as vitórias acachapantes sobre invasores, piratas, bucaneiros ou homens do Império Português.

Tem também o fato de ser o bairro onde aconteceu a primeira experiência socialista no Brasil, que foi a fábrica de tecidos e a Vila Operária implantadas pelo industrial Luiz Tarquínio. O homem botou na cabeça que o empregado tinha de levar uma vida modesta mas respeitosa, e montou o primeiro núcleo habitacional baiano com casas de dois andares, creche, clube, urgência médica, delegacia, jardins, água encanada, luz elétrica de gerador próprio, mercadinho e até uma escola de primeira linha.

Mas o boaviagiano tem orgulho extremo mesmo é dos seus filhos que ficaram famosos. São muitos, dentre os quais Laurinha, Vicente Salles, os jogadores campeões brasileiros pelo glorioso Bahia, como Leguelé e Xaxa, a cantora Margareth Menezes e muitos desembargadores, escritores e artistas plásticos.

A Boa Viagem sempre misturou porrada com arte e esportes.

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*Jolivaldo Freitas – Jornalista, escritor, editor do blog Joli: http://www.jolivaldo.blogspot.com/

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