TEM BAFAFÁ NA BOCA DO INFERNO

.

textos de zédejesusbarrêto

(escritos especialmente para o blog Jeito Baiano)

.

Acusado por alguns funcionários de ‘racista’, ‘homofóbico’, ‘lesbofóbico’ e também denunciado, pelos mesmos, de ‘assédio moral’, ‘calúnia’ e de ameaçar e xingar servidores que não cumpriam suas ordens, o jornalista, dramaturgo e poeta Antonio Lins foi demitido da presidência da Fundação Gregório de Mattos, entidade maior da cultura da capital baiana, a qual assumiu em janeiro de 2009 prometendo, na ocasião, ‘agitar a Bahia e tirá-la da mediocridade’.

Agito mesmo o dramaturgo fez ao sair, cuspindo chumbo pra cima do prefeito João Henrique, a quem acusa de ‘ não dar bola para a cultura’. Numa entrevista quente ao jornal A Tarde (edição de 19 de março), ele diz que o gabinete do Sr. Prefeito queria usá-lo para cometer irregularidades, pagar contas de festanças regadas a uísque e acarajé a $ 15 reais, e da qual ele e a FGM sequer participaram. De sobra, xingou o prefeito de ‘desequilibrado’, ‘ignorante’, ‘semi-analfabeto’ e ‘impostor’.

De cara enfezada na foto, Antonio Lins (que é filho do grande escritor e jornalista Wilson Lins) defendeu-se das acusações de racismo e homofobia dizendo que é amigo de Luis Mott (fundador do GGB) e … ‘como um poeta vai ser racista? Que diabo de poeta é esse? O único preconceito que eu tenho, compadre, é com a burrice’. Lá ele!

O ‘Boca do Inferno’, o poeta (esse sim) Gregório de Mattos e Guerra, que empresta o nome à Fundação em questão, deve estar se tremelicando de rir no túmulo onde vagueia e de onde observa sua Bahia de todos os santos e pecados desde o século XVII.

Na praça vizinha, a estátua de Castro Alves estremeceu.

*

Enquanto isso, nossa cultura continua no reboleichon,chon… há tempo.

*

Lembro-me de um debate no ‘salão de imprensa’ do agora falido Hotel da Bahia, às vésperas de um carnaval, nos últimos anos do século passado, quando o compositor Gerônimo assumiu o microfone e disse solenemente, com toda a irreverência de um futuro ‘Rei Momo”:

Amigos, cultura começa com cu, mas a cultura baiana não se resume ao cu de Carla Perez’

À época, o grande apelo cultural baiano era a música/dança ‘Na boquinha da garrafa’.

Como se vê, a mediocridade vem de looonge! Tudo enfiado!

.

*

Lúgubre Leilão

.

Está mesmo acontecendo no dia 20, agora – sem que ninguém faça nada para impedir, negociar, salvar – o leilão dos bens do Hotel da Bahia, bancado pela Rede Tropical Hotéis, fechando o barraco e, quem sabe, condenando o prédio de grande valor arquitetônico para a cidade, símbolo de uma época de ouro da Bahia. No rebolo vão móveis antigos, utensílios, objetos, obras de arte, inclusive uma escultura de Mário Cravo – mais de 300 lotes, milhares de artigos.

Bem, conforme a direção do Instituto Aerus (?) que aparece como proprietário do prédio, quatro painéis/murais de Carybé e uma tela de Genaro de Carvalho não vão a leilão agora, porque pertencem ao Instituto, fazem parte do prédio. Haverá (sic) um novo leilão, depois, do imóvel. Que, penso, deveria ser tombado. Se acontecer o novo leilão, aí então estarão incluídos os trabalhos de Carybé e Genaro.

É a Bahia, sua história, sua arte, se desmiliguindo por incúria, falta de respeito aos (e dos) baianos, por alguns trocados.

Enquanto isso… os funcionários, trabalhadores antigos do hotel, não sabem ainda como e quando vão receber o que têm direito. Muito rolo na Justiça até definir o troco.

Triste Bahia! Oh quão dessemelhante!

.

*

Briga nos Tainheiros

.

O projeto de revitalização e reurbanização da cidade baixa foi pro lixon-xon, pelo silêncio.

Mas a Ribeira está em rebuliço, por causa da disputa de espaços na borda da Enseada dos Tainheiros, um dos locais mais belos da cidade. Os novos ‘proprietários’ do mar estão fechando os caminhos da água, murando, cercando, metendo placas proibindo entrada e passagens etc e tal, arrotando arrogâncias.

A área, tradicional local de centenárias regatas, virou estaleiros de iates, veleiros, saveiros adaptados a passeios turísticos, consertos de embarcações, altos negócios de lazer… Mais adiante, próximo da Penha, agora é um estaleiro da tal empresa que gere (pessimamente, diga-se) o sistema de ferry-boats. Tudo dominado.

O espaço das competições/as regatas é cada dia menor e já não há como treinar, pôr os barcos e os remos na água. A briga entre os clubes de regatas da região itapagipana e os novos donos do pedaço é feia. E às vezes se dá na base dos xingamentos, ameaças, remadas, promessas de retaliações e… violência.

É preciso alguém do governo, da prefeitura, da justiça ir lá, reunir os interessados, a comunidade e negociar, definir espaços e tempo para cada um, quem tem direito ou não, manter a ordem nos domingos de competições, quando os barcos e remos estão na água e os donos de iates querem sair para passear e tomam o espaço, prejudicam as competições… etc.

A Ribeira tem tradição e o povo de lá tem de ser ouvido e respeitado. Vamos ordenar aquilo lá, antes que aconteça uma tragédia. Tô avisando.

.

*

Reforma Aquária

.

Por falar na Ribeira… alguém lembra da ida do presidente Lula àquele lugar, há alguns anos, com o governador Jaques Wagner pela mão, o ministro da Pesca e tantas outras ‘otoridades’, para criar/inaugurar um tal Terminal Pesqueiro, que seria a redenção dos pescadores itapagipanos e de todo este país, hum?

Se não lembra, vou refrescar a memória. Na ocasião, o presidente Lula prometeu até ‘fazer uma Reforma Aquária’ (sic) neste país. Cadê tudo?

.

*

Espicha lixão

.

Acabado o estica e puxa do verão… que tal um mutirão (Secretaria de Turismo e sua Bahiatursa, prefeitura, órgãos ambientais, comunidade) para limpar as praias do Porto da Barra e adjacências do lixão acumulado sob as águas?

Que tal repensar…

Aquele não é um lugar apropriado para tais eventos. Nem no Porto nem à frente do Farol. É, sim, uma falta de respeito a sítios históricos e uma visão obtusa do que significa TURISMO numa terra que tem como singularidade a sua história, a sua cultura.

Sem grilos, vamos pensar, já, o verão de 2011? Cadê o tão falado ‘debate’ sobre os novos caminhos e propostas do Carnaval? Ou vamos mais uma vez jogar tudo pra debaixo do tapete porque não rende voto?

Ora, Salvador e os baianos merecem um pouco mais de respeito, planejamento.

*

Mudando de tom…

.

Poetando

.

Ao entardecer, na alameda da Morte,

A Beleza perguntou à Verdade:

– “Qual o caminho que conduz a Deus?”

– “O Amor”, a Verdade respondeu.

Então, a Beleza disse:

– “Eu sou o Amor”

(Godofredo Filho, poeta modernista baiano – 1904/1992)

.

*

Pensamentando

.

Na arte do jogo das paixões humanas

O sábio caçador, muitas vezes,

Se entrega feito presa,

Finge-se de caça, num último golpe …

Definitivo.

.

*zédejesusbarrêto, jornalista, escrevinhador, pensamenteiro.

19.mar/2010.

Anúncios

Tags: , , ,

Uma resposta to “TEM BAFAFÁ NA BOCA DO INFERNO”

  1. LOURENÇO MUELLER Says:

    Excelentes comentários, poesia e crítica bem humorada, LEGAL…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: