PRAÇA CASTRO ALVES IRRADIANDO CULTURA

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texto de DIMITRI GANZELEVITCH*

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Têm coisas que, de tão evidentes, passam sem ninguém notar. Exemplo? A praça Castro Alves e suas imediações, oficial portão de entrada do centro histórico.

Há pouco mais de dois anos, o Glauber Rocha, ex-Guarani, reformado, abriga, com patrocínio do Unibanco, um bem-sucedido conjunto de salas de cinema e uma boa livraria graças à teimosia do jovem e talentoso cineasta Claudio Marques, após anos de entraves burocráticos.

Na traseira, uma subusada obra de Lina Bo Bardi, verdadeira Bela Adormecida, espera exposições e montagens teatrais.

Amanhã, teremos, no imponente imóvel que já foi sede do jornal A Tarde, um luxuoso hotel da cadeia paulista Fasano, cuja reputação de excelência é internacional.

Um pouco em contrabaixo, a igreja da Barroquinha, finalmente restaurada – e muito bem – sonha numa programação compatível com a importância da reabilitação.

Bastam alguns passos para entrar na rua da Ajuda, tradicional reduto de antiquários e chegar ao Museu Afro-brasileiro onde, no princípio do ano, foi apresentada uma exposição para ninguém botar defeito sobre o Benin e suas culturas.

No início da rua Carlos Gomes, está o Museu de Arte Sacra, um dos mais belos do Brasil e a Caixa Cultural, cuja dinâmica é permanente.

Se incluirmos a monumental igreja de São Bento, teremos então um conjunto de excepcional relevância para a cultura soteropolitana.

Não seria coerente fazer uma comissão de responsáveis para orquestrar uma política cultural coerente e complementária?

Você já imaginou o que este conjunto deveria representar para a revitalização do centro histórico? Podemos ter ali, a baixo custo, um centro de culturas bem mais importante que o Dragão do Mar de Fortaleza ou até que o Sesc Pompeia de São Paulo.

É só sentarem a volta da mesma mesa, esquecerem diferenças políticas e divergências pessoais e propor a cidade do Salvador uma programação que agregue todas as opções, do erudito ao popular, do acadêmico ao conceitual, passando por todas as expressões da música, literatura, dança etc.

A Praça Castro Alves pode ser o espaço ideal para feiras de livros, duelos de repentistas, teatro de rua etc.

E não esqueçamos que esta parte da cidade é bem servida em transportes públicos e os engarrafamentos são raros. Bastam 200 metros para ter acesso ao Comércio pelo Elevador Lacerda. Muitos ônibus param na praça, a caminho ou vindo do Campo Grande, Barra, Ondina, Ribeira, Sussuarana etc. O vizinho terminal da Barroquinha – Liberdade, Cabula, Valéria – é um dos mais movimentados de Salvador.

Não estou propondo uma viajem à lua, mas uma opção possível e barata para dinamizar o centro histórico.

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*Dimitri Ganzelevitch – Presidente da Associação Cultural Viva Salvador

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