A BAHIA E OS CANDIDATOS

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texto de ARMANDO AVENA*

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Os candidatos ao governo da Bahia precisam começar a falar em programa de governo. Até aqui, o que vem predominando é a querela política e, no âmbito do governo do Estado, o programa em curso, caracterizado por muitas ideias e pouca concretude. Os candidatos precisam dizer, por exemplo, que proposta têm para o semiárido, que representa mais de 50% do território baiano, onde vivem mais de quatro milhões de pessoas e nunca foi prioridade.

Para o semiárido, com algumas exceções, a política é sempre no sentido de garantir água para todos, construindo cisternas, poços e medidas semelhantes. Ora, água para todos não é política, é obrigação constitucional, por isso os candidatos vão ter de passar da “solução hidráulica” para a “solução econômica”. Mas vão fazer isso de que maneira, levando indústrias para o interior, construindo barragens, ou através de projetos de irrigação? E de onde virão os recursos? E não adianta elencar centenas de projetos, pois a população já sabe: onde tudo é prioritário, nada é prioritário.

A infraestrutura também precisa ser discutida pelos candidatos. Eles precisam dizer, por exemplo, se pretendem estadualizar a administração dos portos da Bahia, cada vez menos competitivos, se vão forçar a Vale do Rio Doce a investir na malha ferroviária do Estado, que ela praticamente abandonou, se vão colocar a capacidade financeira do Estado a serviço da construção de grandes obras, como a ponte Salvador-Itaparica, ou se vão preferir pequenas obras disseminadas pelo Estado.

É preciso que os candidatos digam que obras serão prioritárias e quais delas serão construídas com recursos, estaduais, federais ou internacionais.

Hoje, fala-se muito em PPP (Parceria Público-Privada), mas isso não é uma mágica, exige o comprometimento dos recursos estaduais, e, em alguns casos, como o da construção da nova Fonte Nova, amplia o nível de endividamento estadual.

Se é assim na economia, imagine na área de segurança pública, saúde e educação.

Governar é fazer escolhas, e a Bahia precisa saber quais as escolhas daqueles que querem governá-la.

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*Armando Avena – Escritor, economista, ex-secretário de Planejamento do governo baiano, diretor do portal Bahia Econômica

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