REFLEXÕES NO DIA DA MULHER

textos de zédejesusbarrêto*

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Senhora do mistério

E do encantamento

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Entendo que todo dia é dia da mulher. Até porque sem ela nem existiríamos.

Dona da vida. Fonte do prazer.

A bênção Yá Stella de Oxóssi, nossa sacerdotisa. Bença Makota Valdina, negona guerreira. A Maria Bethânia, pelo seu canto de luz. Ícones.

Às mulheres, todas, que algum dia, mesmo que só por um instante, eternamente amei. Vó, mãe, amiga, irmã, amada, amante.

Não sou mais que um mosaico, um ajuntamento de pedacinhos, de sentimentos e gostos de cada uma delas. Sem esse alimento, nada seria.

Quedo-me, em louvação, eternamente agradecido.

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Projetos e ‘belezuras’

Para todos, urgente!

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Diante do caos soteropolitano instalado, ninguém com um pouco de juízo pode ser contra qualquer projeto decente que venha requalificar a cidade, integrando-a de fato a municípios e ilhas que integram (?) a Região Metropolitana de Salvador e a Baía de Todos os Santos. Queremos projetos que tragam melhorias urbanas e, sobretudo, na qualidade de vida de toda a população. Ponto.

O que se exige, mais do que propostas fantasiosas e ‘belezuras de fotoxópi’ (como bem diz o povo), são projetos realmente possíveis e urgentes, fundamentados com estudos de impacto socioambiental, de viabilidade urbanística e econômica, respeito à nossa história, transparências públicas e vantagens para a sociedade como um todo. Desde o pobre que vai ser desapropriado ao investidor imobiliário que terá ganhos com as mudanças, óbvio. É necessário planejamento, debate aberto com setores envolvidos, interessados e estudiosos do assunto.

Mais seriedade e menos politicagem!

Afinal, são intervenções que traçarão o futuro, marcarão a vida de gerações e comprometerão positiva ou negativamente os homens públicos que estão a essa hora no plantão, com o poder de decisão em mãos.

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Com esses cuidados e critérios, que venham a ponte a Itaparica, o passadiço Pelourinho/Joana Angélica (que alguns críticos já chamam de ‘passarela do crack’), a nova Cidade Baixa (cuidado com o conjunto Luis Tarquínio, o abrigo Dom Pedro II e as obras de Irmã Dulce, pelamôdedeus!), o pontilhaço sobre o Parque de Pituaçu, a nova Orla Atlântica, etc e tal…

O VLT ou VLR pela Paralela, ligando o Aeroporto ao Centro, é mais que necessário. Em certos horários, por ali a travação é total. Hora e meia/duas horas para se trafegar 15 kms. Assim, não tem Copa do Mundo certa na Bahia.

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Por falar em Copa 2014

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As obras de demolição da velha Fonte Nova ainda não iniciaram, como estava previsto. A Fifa, que coordena o grande evento da Copa do Mundo, já faz pressão na CBF, cobrando os prazos acertados. A derrubada começaria em fevereiro, mas… o consórcio das construtoras responsáveis pela construção da nova arena, no mesmo espaço urbano, somente agora iniciou os contatos com os moradores do entorno, explicando os transtornos que advirão com as obras. Hum!

O tempo ‘ruge!’

É muito bom saber que o novo estádio terá energia limpa, solar, com geradores fotovoltaicos instalados na parte interna e módulos solares na cobertura das arquibancadas. O governo do Estado quer o mesmo sistema energético também no estádio de Pituaçu. Palmas!

Esperamos que tudo isso se concretize, de fato; não seja apenas papo de tempos eleitoreiros.

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Segurança pública

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Por falta de família, de escola, de perspectivas, do que fazer no dia-a-dia nossas crianças/adolescentes entregam-se ao tráfico, às drogas. Buscam dinheiro fácil, afirmação, prazeres. É o caminho mais fácil oferecido para a inserção social pregada pelo consumismo. Ignoramos nossa juventude.

Muitas turmas escolares ainda estão sem aulas. Às 10 horas, às 16 horas é comum se verem dezenas, centenas de garotos e garotas, de todas as idades, fardados, zanzando pelas ruas, fora das escolas, a mercê de toda sorte de abordagens e violências.

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Combater a violência não significa invadir bairros populares e casa de pobre humilhando e metendo bala. Isso é barbárie, companheiros! Causa revolta. Vira guerra.

Não podemos chamar isso de segurança pública.

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É bala pra todo lado, nos bairros, no centro, em Salvador, Rio, São Paulo, BH, Recife, Vitória, Maceió, Fortaleza… Armas de todos os calibres. Em mãos de policiais despreparados, de ricaços ‘donos do mundo’, de traficantes, adolescentes de ambos os sexos, estudantes… nas periferias, no interior… um horror. Dá medo até trocar olhares na rua com algum desconhecido.

E não se pensa, ninguém propõe, não se fala numa ampla campanha de desarmamento em nível nacional, bem planejada, com marketing e ações policiais regulares. Nas cidades, nas estradas, nas fronteiras. Nada. Compra-se um revólver em qualquer esquina e boteco. É ter dinheiro e encomendar.

Como é poderosa a indústria armamentista.

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A terra tremeu no Haiti, no Chile, em Taiwan, Japão… o planeta tá rachando?

O Peru está se desmanchando em água. Cuzco histórica virou uma correnteza de lama. Tem chovido muito no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas… Vem mais muita água por aí, sinto trovejos nos céus.

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Diante da Natureza, somos todos pequenos e iguais. Negros haitianos, brancos chilenos, amarelos chineses, índios peruanos… A mesma frágil raça humana. Fugaz.

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O trânsito na cidade é estúpido. Todos querem ultrapassar, não se respeita o sinal vermelho, trafega-se na contramão de nariz empinado, a ‘roubadinha’ virou regra, estaciona-se em qualquer lugar onde há uma brecha, para-se em fila dupla travando o fluxo… tudo normal.

O baiano ao volante tornou-se um ser bestial.

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Ninguém obedece a leis, ninguém fiscaliza, não há punições… Os que ainda cumprem determinadas convenções são tidos como idiotas, velhos, abestalhados.

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Ué! Zé Carlos Araújo, Leão, Cesar Borges, Félix Mendonça, Fabinho… Ah, herança bendita!

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Leio um trecho da crônica do velho jornalista e escritor Carlos Heitor Cony:

Com exceção de detalhes episódicos, o homem que havia em Hitler e Stálin pouco ou nada diferiam’.

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Saudades

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Uma imensurável tristeza: a morte do repórter, editor, colunista político Jânio Lopo. Uma figura doce, uma pessoa amável. Fui seu chefe de reportagem lá pelos anos 1973/4 na Tribuna da Bahia, nossa escola. Lá ele escreveu, até o fim.

No enterro, sábado, estavam presentes no Jardim da Saudade três ex-governadores de ideologias distintas: João Durval Carneiro, Waldir Pires e Cesar Borges. O prefeito da capital João Henrique, deputados, ex-deputados, amigos, companheiros… afetos e desafetos, Janinho reuniu todos, sem distinção, naquele jeitão dele de ser em vida, risonho, tranquilo, esperto.

Foi um aperto no velho coração.

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zédejesusbarreto, jornalista e escrevinhador

8mar/2010.

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