JUAREZ PARAÍSO – GENTE DA BAHIA

 

No seu ateliê, em Amaralina, JUAREZ PARAÍSO posa para a foto de FERNANDO VIVAS (Agência A Tarde) ao lado de FRUTO PROIBIDO, escultura que foi censurada no tempo da ditadura militar. Data: 28.7.2009

Obra de JUAREZ PARAÍSO é parte da Exposição 2.234, que apresenta – no Casarão do Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador – o revólver como arma a favor da paz. Foto de IRACEMA CHEQUER | Agência A Tarde 7.12.2009

Mural de JUAREZ PARAÍSO instalado no Museu Geológico, na Vitória, em Salvador. Foto de FERNANDO VIVAS | Agência A Tarde 20.7.2009

             (Seleção e corte de fotos: LUIZ CRISTIANO V. PARAGUASSÚ)

 .

Um mestre na arte da Bahia

.

Os textos abaixo do professor Juarez Paraíso, mestre de todas as artes plásticas baianas, foi pinçado das páginas 128/132 do recém lançado livro Juarez Paraíso – Um mestre na arte da Bahia, um dos volumes da Coleção Gente da Bahia bancada pela Assembleia Legislativa do Estado, de autoria do escritor e jornalista Claudius Portugal.

O mestre Juarez Paraíso tem 75 anos, é baiano nascido na Chapada Diamantina, crescido e vivido nos cantos e caminhos desta Cidade do São Salvador da Bahia, nossa Mãe Preta.

-o-

textos de JUAREZ PARAÍSO:

Vivi a vida dos mil mistérios, a Bahia de Rubem Valentim, Hélio Oliveira e de Procópio, cheia de orixá e revelações. Foi quando convivi com Cosme e Damião e me perfumava com o incenso dos santos.

Vivi a Bahia de José Maria de Souza, de Cosme de Farias e de Cuíca de Santo Amaro, quando conheci as almas penadas da madrugada, escura e infindável.

Vivi a Bahia da boemia, a Bahia de Sandoval, do Tabaris e do Rumba Dancing, do Pigalle e do 63, uma Bahia de prazeres e de perigos sedutores.

Vivi a Bahia da antiga Água de Meninos e da Universidade de Edgard Santos.

Vivi a Bahia de Jorge Amado e convivi com o seu Pedro Archanjo.

Vivi a Bahia envelhecendo, desgastada, cedendo lugar ao novo, ao pseudo novo e ao novo velho.

Hoje vivo a Bahia sobrevivente, ainda mais bela e majestosa, a mais natural capital do Brasil, a mais africana e a mais brasileira. Eterna fonte de inspiração”

o desenho acadêmico o desenho abstrato

o desenho orgânico

a mutação

paisagens cósmicas

paisagens astrais

natividade intergalática

almas penadas da madrugada

eternos mendigos da carne

violência parindo pela boca

bahia

     josé maria jesus povoam a Bahia

     e somos todos nós

     em cada esquina algumas cruzes

     em cada rua vários crucificados

     cabaças dentadas

     búzios

     figas

     cabeças enredadas por serpentes

a bahia desenha o retrato

a bahia grava uma realidade

a bahia ergue seu tempo

     e o tempo é sempre

     sou Jesus

     quem é o meu Judas?

     e o tempo está solto

     desembestado

misericórdia conceição aflitos

há um azul que afoga

qual o valor estético de uma superfície?

que estatística mede um esqueleto

de concreto e pedra?

 

Homem morcego, príncipe submarino, espírito

tenho que aprender a ler

o nu que o branco desse gesso me informa

tenho que aprender a ver

copiar o pé e a cabeça, o tronco

o modelo me leva para passear por ruínas

carcomida estrada

mas ainda assim estrada

e seja qual for o ponto de vista

há sempre um outro argumento

a moral, a religião, a razão, os instintos

revólveres de dedos diante de medalhas

tenho de me nutrir de minha própria substância

comer a minha própria fome

autofagia e autópsia

tenho de aprender a ser

     só o medo confronta

     só a morte liberta

     aonde o frágil do papel?

     aonde a frase no papel?

sou Jesus

quem é o meu Judas?

carne dura, linha reta, espinhaço indobrável

princípio básico da matéria

impulso vital de todas coisas vivas

uma mão segura uma mão e uma outra mão

e uma outra mão

e todas as mãos desenham gravam

esculpem registram

riscam traçam escrevem

num muro numa praça

     para quem anda de coletivo veja

     para quem anda de carro seja

a vida é muito além deste meu tamanho

no mundo

cabeça tronco e membros

uma mão que só alcança um objeto

um passo que só se mede pelos pés

uma nudez para cópia uma paisagem

para os olhos

manipulação fotográfica aplicação radiográfica

a vida há de ser muito além do meu tamanho

sejamos alguns, sejamos muitos, sejamos todos

     segure esta mão que segura uma mão e

     esta uma outra mão e

     esta outra mão e …

.

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