A CIDADE DA BAHIA ESTÁ ESTRESSADA

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de JOLIVALDO FREITAS*

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Salvador caminha a passos largos para se transformar numa cidade digna de se chamar metrópole. Não por suas dimensões e muito menos pelo que tem a oferecer à sua população, e ah! se não fosse o mar – embora tenha quem diga que a conjunção mar, terra e ar, ou seja: maresia, ladeira e calor seja um pecado – aí sim o povo desta cidade do São Salvador estaria perdido.

A cidade é carente de ruas e avenidas que deem vazão ao trânsito. Assemelhando-se aos grandes aglomerados do Terceiro Mundo.

Esta cidade está louca para ser uma metrópole de padrão internacional, referindo-se ao seu trânsito que fica a cada dia mais caótico. E vai piorando quando vemos que não existe um projeto viário para ser realizado em plenitude e em curto prazo. A população cresceu. As vias parecem que estreitaram.

Transitar, tanto faz de ônibus ou Ferrari é a mesma coisa. Faça sol ou chuva. Não existe preconceito. As ruas e avenidas são as mesmas da última mudança ocorrida na capital, pelos idos dos anos 60/70 do século passado. Enquanto isso a frota de veículos ultrapassa 700 mil unidades. E a cada mês temos mais seis por cento deste total de veículos transitando.

Um dos piores exemplos vem da Avenida Paralela, que foi feita para desafogar o trânsito nas áreas consideradas centrais e servir de acesso ao norte da capital. Imagine que na sexta-feira da semana passada registrou-se trânsito lento por volta das 23 horas. Era um imenso fluxo contínuo de carros.

Isso significa que, quando os 30 novos projetos habitacionais de todas as dimensões que estão sendo implantados ao longo da avenida, com seus milhares de novos moradores, não haverá inferno igual para os motoristas.

Já enfrentei brutais engarrafamentos na Cidade do México, no centro de Caracas e principalmente em Luanda onde o trânsito não tem lei, vai quem pode e tem coragem. Tanto que para percorrer cada quilômetro leva-se quase meia hora. Não está sendo tão diferente em Salvador em alguns locais como Rio Vermelho, Lucaia e a velha Rótula do Abacaxi.

Quem vai descascar esta bananosa?

*Jolivaldo Freitas – Jornalista e escritor

COMENTÁRIO DE LOURENÇO MUELLER*:

CIDADE ESTREÇADA

Tá errada a grafia, não é? Mas se entende o recado. Pois escrevo para louvar o artigo de Jolivaldo Freitas com ressalvas.

Claro que na trama urbana não cabe mais o número de viaturas e vai piorar cada vez mais, a não ser que se mude o crescimento da cidade para outro vetor, o que é trabalhoso mas possível urbanisticamente.

A questão é de substituição de uma matriz de transporte individual para outra de transporte coletivo e circulação alternativa de pedestres e bikes, não apenas de ocupação e aumento de densidade em alguns pontos, como foi citado, na Paralela, até com razão.

Ninguém se lembra de cobrar um tributo a mais das montadoras para ajudar a planejar melhor a cidade, elas que vomitam milhares de carros por mês…

Agora, desculpe, Jolivaldo, não tenho Ferrari, mas preferiria ficar engarrafado dentro de uma Testa Rossa do que num buzu: garanto que é bem diferente…

Quando ficar engarrafado ao lado de um ônibus derramando gente pelas janelas e ainda sujeito a assaltos, quente, sem som ou filmes e de pé, experimente olhar para os olhos de um ou outro ocupante e veja como te encaram tristes… e tenho certeza que v. não tem uma Ferrari… mas comprendi a mensagem, todos estão mesmo muito “estreçados”… apenas uns mais e outros menos…

*Lourenço Mueller – Arquiteto e urbanista

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