ALEGRE DOIS DE JULHO? – por ALBERGARIA

Jary,

Vai aí mais uma peruada pro seu brogui

Como se sabe, nosso Dois de Julho é a melhor expressão do espírito e, mesmo, da estética popular baiana. Um espírito meio esculhambativo pelas frestas – apesar da seriedade de araque das “otóridade” e da papagaiada patrioteira de tantos professores de miolo-mole que acreditam na lengalenga livresca dos seus mestres não menos equivocados – à esquerda e à direita…

Cabeções que confundem o Mito romântico – e suas figuras legendárias – com aquilo que seria uma desencantada História verdadeira. Alguns até tentando recuperar para a surrada política partidária dos poderosos de plantão (wagneristas ou já pós-) as relíquias do nosso fabulosíssimo Imaginário-de-Passado.

Já a vivacíssima estética naïve verde-amarela (entremeada do azul-vermelho-e-branco dos nossos avós afrancesados) é sempre meio berrantemente brega & bráu pelas beiradas. Evidenciando a belezura misturenta do nosso “primitivo tropical” na sua desavergonhada versão local… 

A propósito, um dos componentes mais expressivos de toda essa liberdade corporal-vestimentar-cênica etc. – quase que libertina! – é a desenvoltura “queeer” (espalhafatosamente xibunguista?) dos mestres-de-cerimônias e balizas das fanfarras colegiais. Tantos viadinhos tão lindamente enfeitadinhos, tão graciosos nos seus passinhos de “salta pocinhas”, todos alegríssimos na sua desinibida semostração!

Ah, o que seria da Bahia sem o fricotismo das nossas piriguetinhas em flor e sem o frescurismo dos nossos meninos-alegres! 

Mas, ao que tudo indica, a Moral de Jegue (da hipocrisia) de certos senhores burros & aborrecentes estaria ameaçando esta nova tradição que se incorporou na última década com tanta organicidade e graciosidade no democraticíssimo balaio-de-gatos que é o cortejo 2 de julho.

Maravilha quiproquozenta de romaria (com os caboclos reinterpretados pelo nosso “umbandomblé” difuso), de muvuca passeante, de pasmatório das famílias ociosas no feriadão, de palanque andante, de parada cívica – e já tomando ares, agora, também de mini-prévia da Parada Gay baiana do mês que vem (já mais “apaulistada”).

É preocupante o que leio na matéria que saiu no site do GGB (www.ggb.org.br), aliás belamente ilustrada. Veja aí no anexo, ou a extraia do próprio site.

Abs, Alberguinha [antropólogo Roberto Albergaria]

 

[Seguem as fotos e o texto que estão no site do Grupo Gay da Bahia]

 GGB fanfarras1

GGB 2 Fanfarras028

GGB 3 Fanfarras010

GGB 4 Fanfarras043

GGB 5 Fanfarras041

NASCE O SOL AO DOIS DE JULHO

Balizas acrobáticas viram atração no Dois de Julho na Bahia  

SALVADOR, 2.7.09 – Todo ano é a mesma coisa. As Mercês é ponto de encontro para gays, lésbicas e simpatizantes que esperam horas seguidas para ver a evolução das fanfarras que desfilam no cortejo da tarde por ocasião do Dois de Julho, data cívica em que se comemora a Independência da Bahia. Os personagens mais esperados pelo público são as balizas gays, ameaçadas de extinção por conta de um decreto da Associação Baiana de Fanfarras (AFABE), que proíbe comportamentos que não sejam considerados adequados às balizas, como, por exemplo, usar cabelo longo, fazer execuções de acrobacias que não condizem com o gênero da baliza. Com o decreto, as balizas só podem marchar como se fossem soldados, situação essa que gerou protesto por parte daqueles que adoram ver as evoluções das balizas nessas datas comemorativas.

Manoel Camoruji, que acompanhava a execução das balizas, achou que diminuiu um pouco a evolução delas. “Eu acho que este ano elas estão mais comportadas, como se alguém tivesse feito algo”, disse. A presença de homossexuais é notória e estimulada pelos integrantes das fanfarras. Roni Von é a baliza maior da Fanfarra do Educandário Almeida Brito, do município de Euclides da Cunha. Na opinião da pratista Viviane Gonçalves, ele é indispensável ao grupo, é sempre motivo de alegria, contagia tudo por onde passa. E foi isso que aconteceu na passagem da fanfarra pelas Mêrces. O grupo é tetracampeão baiano na categoria. “Eu acho ele excelente, animado e comanda com firmeza todo o grupo”, disse Viviane.

Vestida de preto, calça de lycra justa, penacho na cabeça, Diana Brito, 24 anos, é baliza acrobática da Fanposandy e Joseval Santos, 25 anos, é baliza maior. Ambos têm funções específicas de igual grandeza na fanfarra. Na opinião compartilhada por ambos, “as balizas são almas das fanfarras”, disseram. A baliza maior comanda todos e em especial a banda, ela que abre caminho e determina a evolução, é como se fosse o maestro de uma orquestra.

Já a baliza acrobática, o nome diz tudo, refere-se às acrobacias e evoluções sincronizadas. Muito à vontade, o tocador de prato Davi Ramos, 23 anos,  da Fanfarra San Diego, do Colégio Polivalente do Uruguai, acha que elas são as rainhas da alegria. “Fechação pura, sem elas as fanfarras não têm vida”, disse.

Muitas balizas acompanham a banda desde a época de formação. Ricardo Santos, 18 anos, é baliza acrobática desde os 15 anos na Fanfarra do Colégio Castelo Branco, em Periperi. Mesmo não sabendo do tal decreto, acha que isso não vai ser aceito pelas fanfarras na Bahia. “Quero é só ver se isso vai pegar, impossível fazer uma coisa discriminatória assim”, disse o jovem.

O psicólogo Gilmário Nogueira acredita que esta ação, se verdadeira for, é um retrocesso na manifestação popular e na identificação dos homossexuais com a festa do Dois de julho “Acho a participação delas fantástica, é espontânea e representativa para os gays”, disse. Já o antropólogo Eduard Macrae vai mais além na interpretação da adesão dos gays ao evento do Dois de Julho. “Essa participação deve ser desde o tempo da Independência, claro que de outro modo, mas presente”, disse.

 Em meio ao empurra-empurra de pessoas e bandas, procuramos alguém da Associação para falar sobre o assunto, mas não foi possível encontrar ninguém. O GGB vai enviar carta cobrando esclarecimentos do episódio.

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Uma resposta to “ALEGRE DOIS DE JULHO? – por ALBERGARIA”

  1. LUIZ MOTT Says:

    Legal a inclusão da matéria de Marcelo Cerqueira sobre as bibas nas fanfarras do Dois de Julho. Se for feito um levantamento sério e exaustivo em TODAS as áreas e setores socioculturais de Salvdor e do Brasil, certamente se chegará à mesma conclusão: OS GAYS SÃO MILHÕES, ESTÃO EM TODA PARTE, E O FUTURO É NOSSO – da diversidade sexual, do respeito às diferenças, sem hegemonia do HETERRORSEXISMO nem pretenção dos LGBT de serem dominantes. Veja por exemplo na música baiana, de Psirico a Bethânia, de Gal a Simone, de Leo Kret a Daniela Mercury e Ivete e Xanddy, todo mundo já experimentou a fruta, alguns comendo a casca e chupando até o caroço… E no jornalismo, quer escrito quer televisivo? E no clero – exceção feita do ricardão Monsenhor Sadock?! e nas universidades, nos candomblés, entre os fardados e fardadas?!!!
    Concluindo: apesar da Bahia conhecer tantos xibungos e sapas, infelizmente, a maior parte prefere ficar no armário, sofrendo de homofobia internalizada, os chamados/as homossexuais egodistônicos, que estão fora de sintonia com sua verdadeira essência existencial.
    Que as bibas da fanfarra do Dois de Julho sirvam de estímulo para que nossos lgbt vips saiam do armário, pois se aí permanecerem, morrerão sufocados. Luiz Mott, assumido há 40 anos!

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