AVE BAHIA! – CLÉO MARTINS

Caboclos no desfile deste Dois de Julho. Foto: Xando Pereira | Agência A Tarde 2.7.2009

Caboclos no desfile deste Dois de Julho, em Salvador. Foto: Xando Pereira | Agência A Tarde 2.7.2009

BRASILEIRO, SIM SENHOR

 

por Cléo Martins

 

Outro 2 de Julho chegou e é passado entre nós. Tempo, este incorruptível, não está nem aí para modas e conveniências. Feito vento na puberdade. Pleno de energia, com o saber dos mais velhos. Sempre dá seu recado, diz ao que veio e retorna à pátria do mais adiante, graças sejam dadas ao Criador. Para a glória de baianos de todas as origens, o 2 de Julho – o mais importante feriado da terra de santos, orixás e da grande Maria Quitéria – de 1823 até os dias hodiernos vem brilhando nas terras do eterno verão e memória bruxuleante. No seguimento da fugaz memória patropi. O feriado reinou desperto este ano. A léguas-luz do berço esplêndido.

Feliz aplaudo a recente iniciativa do governo da Bahia sobre a nacionalização desta data muito mais que regional. Legítima e justa em Brasis distanciados do verdadeiro conhecimento cívico. Alguns ignoram que, sem a vitória do 2 de Julho, o 7 de Setembro de 1822 ter-se-ia esvaído às margens plácidas do Ipiranga. A verdadeira vitória sobre as tropas portuguesas aconteceu aos 2 de Julho do ano seguinte. Graças à bravura do povo e do Exército do Brasil em terras soteropolitanas. Dentre a brava gente – do Oiapoque ao Chuí – destacam-se Labatut e Caxias.

Cachoeira, a joia do Recôncavo das mulheres negras de Nossa Senhora da Boa Morte – nas becas cor de ébano de tanto mistério  –, foi já, pela segunda vez seguida, a sede do governo da Bahia no dia 25 de junho. Por força da Lei 10.695/07. Esta determina que todos os anos, no referido dia, lá se instale a sede governamental. E isso ocorre na data do aniversário de meu amigo do peito Flávio Antônio Leal de Azevedo, pernambucano dentista da velha escola de bravos; apaixonado por Rita baiana. Durante as comemorações de 2009 o governador Jaques Wagner oficializou o Hino ao 2 de Julho como o oficial do Estado. A letra é de Ladislau dos Santos Titara e a melodia de José dos Santos Barreto. O hino faz menção às principais batalhas que tiveram como protagonistas o povo baiano, além de proclamar a liberdade e a democracia como ideais.

A partir de 1926 o povão resolveu inovar as festividades. Foram criadas estátuas do caboclo e da cabocla: os homens e mulheres brasileiros representados no importante acontecimento. Tempos depois alguns terreiros de religiões de matriz africana – os populares candomblés de caboclo – elegeram o 2 de Julho como data maior destes encantados que, na Bahia, vestem-se de coloridos penachos, bebem cerveja e a tradicional jurema; sambam no pé, privilegiam o ritmo barra-vento e adoram oferecer churrasco e muitas frutas aos seus convivas. E os caboclos são os brasileiros entre seus pares, minha gente… Costumam cantar: “Brasileiro, brasileiro, brasileiro imperador, eu nasci cá no Brasil, sou brasileiro sim senhor”. Adoro uma cantiga que reparto com vosmecês: “Lá na mata, lá na jurema é uma lei severa; é uma lei sem pena…”

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