BAIANICES – A BUNDA

bunda

‘Oh! Sejamos pornográficos

Docemente pornográficos’

(Carlos Drummond de Andrade)

 

por zédejesusbarrêto

Ainda inquieta a pergunta: qual o limite entre o obsceno e o erótico?  O pornô e a arte?

Ora, diria, tudo é relativo aos bons costumes do tempo e do espaço.

A despeito dessa era de permissividade e de vivermos na Cidade da Bahia – desde Gregório até Albergaria um templo da putaria –, o texto, a arte erótica são avaliados como uma expressão menor, marginal.

 

‘Está na hora de o erótico (ou pornográfico?) fazer parte natural do obra dos  poetas. Não há de que se envergonhar. Afinal, há alguns milhares de anos que amamos desvairadamente de todas as formas registradas ou não no Kama Sutra e nos murais de Pompéia. Como diz o poeta, o amor é palavra essencial.

E embora o que se passa na cama seja segredo de quem ama, nunca houve segredo mais repartido que esse em todos os tempos e culturas. E o bom poeta é aquele que ao revelar o seu segredo descobre que ele pertence a todos’

( Affonso Romano de Sant’Anna – trecho do texto ‘O Erotismo nos deixa Gauche?’ , prefácio do livro ‘O Amor Natural’, de Carlos Drummond de Andrade; Editora Record, Rio de Janeiro, 2007)

 

Pois que cante o poeta celebrando a bunda, palavra quimbunda, tão afro, tão redonda, tão baiana…

 

A BUNDA, QUE ENGRAÇADA

 

A bunda, que engraçada.

Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai

pela frente do corpo. A bunda basta-se.

Existe algo mais? Talvez os seios.

Ora – murmura a bunda – esses garotos

ainda lhes falta muito que estudar.

 

A bunda são duas luas gêmeas

em rotundo meneio. Anda por si

na cadência mimosa, no milagre

de ser duas em uma, plenamente.

 

A bunda se diverte

Por conta própria. E ama.

Na cama agita-se. Montanhas

Avolumam-se, descem. Ondas batendo

Numa praia infinita.

 

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz

Na carícia de ser e balançar.

Esferas harmoniosas sobre o caos.

 

A bunda é a bunda,

Redunda.

(Drummond, do livro ‘O Amor Natural’)

 

Com a licença do poeta maior, cometo:

 

Ontem, ao vê-la

Queria comê-la

Ou só lambê-la

 

Maldito desejo!

 

Preciso domá-lo

Mas como fazê-lo?

*

(zédejesusbarrêto / jun2009)

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5 Respostas to “BAIANICES – A BUNDA”

  1. mga Says:

    Genial!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!viva o poeta e viva vc!

  2. Lourenço Mueller Says:

    De verdade, a verdade da mais baiana baianidade: a bunda!

    O orifício frontal é insubstituível, mais natural e mais gostoso – perdoem-me os gays – mas ele é mais, digamos, destacado, quando está na frente de uma bela bunda “redunda”…

  3. Mário Fausto Says:

    Verdade, verdade mesmo, a bunda, que tipo que tenha, esconde e envolve um valioso segredo, o que a frontal não consegue fazer com tamanha maestria, embora, exigente e carinhosa, arme-se com beijos a quem a pretenda desvendar.

  4. Deveras Says:

    Gostaria de saber o nome do autor da ilustração e se você tem um contato para falar com ele.

    Grato

    P.S. Bom texto, bela colagem, o assunto dá pano prá manga.

    • jarycardoso Says:

      O autor da ilustração é CAU GOMEZ, encontrável na Redação do jornal A Tarde, de Salvador-Ba: (71) 3340-8800.

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