SALVE ABELHA RAINHA

Bethânia - capa DVD

A BAHIA EM REITERAÇÃO

E MOVIMENTO

por MARLON MARCOS

O maior herdeiro da Bahia perfilada por Dorival Caymmi e Jorge Amado e reargumentada por Carybé e Pierre Verger, entre homens e mulheres, é a cantora Maria Bethânia. O seu trabalho artístico trilha um caminho de significações que espelha o imaginário religioso do nosso Recôncavo, que tipifica costumes do povo daqui, que incorpora falares, sonoridades, movimentos, sentimentos e investiga outras possibilidades culturais sem abandonar o que ela, a grande cantora, escolheu para si como fonte primeira de criação lítero-musical: a Bahia litorânea luso-africana.

Neste mês de junho, foi lançado nacionalmente, pela gravadora Biscoito Fino, o esperado e demorado DVD Dentro do mar tem rio, resultado audiovisual do show homônimo de Bethânia que percorreu o Brasil durante quase dois anos (2007-2008), imprimindo as marcas míticas de uma Bahia que não se aparta e nem se apaga no repertório desta artista, que nos últimos anos tem se mostrado uma grande pesquisadora e divulgadora de traços culturais brasileiros, muitas vezes esquecidos pela mídia.

O trabalho da Abelha Rainha tem sido propulsar narrativas populares que dão sustentação religiosa a práticas do candomblé e do catolicismo; tem trazido em construções temáticas um Brasil brejeiro, poético, simples e banhado em singularidades regionais, onde as da Bahia são sempre destacadas, e reimaginadas nas interpretações desta cantora do mainstream que mais etnologia leva para o cenário musical brasileiro. Suas ações estéticas legitimam o fazer do povo e abriga, lado a lado, a prosa de Guimarães Rosa e a poesia do cordelista Antonio Vieira; homenageia Sophia de Mello Breyner, a grande poeta portuguesa, ao mesmo tempo em que canta um ponto de caboclo, dos candomblés de “nação angola”, a Pedrinha de Aruanda.

Dentro do mar tem rio é uma espécie de registro que pode explicar, em muitos aspectos, a presença negra na música popular brasileira: revelando orixás, caboclos, mitos do afro-Brasil; sonoridade percussiva em cadência com violões afinadíssimos e o singrar altivo da voz grave e rascante de uma das maiores cantoras do mundo contemporâneo.

Este DVD impõe-se como obra educativa: a cantora, nele, é uma espécie de contadora de histórias, um griot iorubano a perpetuar em sua fala, no caso dela o canto, os sentidos coexistenciais herdados dos ancestrais mais remotos e ali revividos em nome da longevidade cultural que nos dá identidade coletiva.

Este aparato musical, Dentro do mar tem rio, é o viço estético de alguém que não se cansa de ser Bahia, não se cansa de ser Brasil. Traz a Maria Bethânia de sempre, certeira naquilo que sabe fazer, alinhada à ideia de reiteração do que ela tira daqui como novelo de beleza e espalha pelo mundo, sem perder a tônica do necessário movimento presente em qualquer cultura.

MARIA BETHÂNIA:

A BAHIA EM REITERAÇÃO

E MOVIMENTO

MARLON MARCOS

O maior herdeiro da Bahia perfilada por Dorival Caymmi e Jorge Amado e reargumentada por Carybé e Pierre Verger, entre homens e mulheres, é a cantora Maria Bethânia. O seu trabalho artístico trilha um caminho de significações que espelha o imaginário religioso do nosso Recôncavo, que tipifica costumes do povo daqui, que incorpora falares, sonoridades, movimentos, sentimentos e investiga outras possibilidades culturais sem abandonar o que ela, a grande cantora, escolheu para si como fonte primeira de criação lítero-musical: a Bahia litorânea luso-africana.

Neste mês de junho, foi lançado nacionalmente, pela gravadora Biscoito Fino, o esperado e demorado DVD Dentro do mar tem rio, resultado audiovisual do show homônimo de Bethânia que percorreu o Brasil durante quase dois anos (2007-2008), imprimindo as marcas míticas de uma Bahia que não se aparta e nem se apaga no repertório desta artista, que nos últimos anos tem se mostrado uma grande pesquisadora e divulgadora de traços culturais brasileiros, muitas vezes esquecidos pela mídia.

O trabalho da Abelha Rainha tem sido propulsar narrativas populares que dão sustentação religiosa a práticas do candomblé e do catolicismo; tem trazido em construções temáticas um Brasil brejeiro, poético, simples e banhado em singularidades regionais, onde as da Bahia são sempre destacadas, e reimaginadas nas interpretações desta cantora do mainstream que mais etnologia leva para o cenário musical brasileiro. Suas ações estéticas legitimam o fazer do povo e abriga, lado a lado, a prosa de Guimarães Rosa e a poesia do cordelista Antonio Vieira; homenageia Sophia de Mello Breyner, a grande poeta portuguesa, ao mesmo tempo em que canta um ponto de caboclo, dos candomblés de “nação angola”, a Pedrinha de Aruanda.

Dentro do mar tem rio é uma espécie de registro que pode explicar, em muitos aspectos, a presença negra na música popular brasileira: revelando orixás, caboclos, mitos do afro-Brasil; sonoridade percussiva em cadência com violões afinadíssimos e o singrar altivo da voz grave e rascante de uma das maiores cantoras do mundo contemporâneo.

Este DVD impõe-se como obra educativa: a cantora, nele, é uma espécie de contadora de histórias, um griot iorubano a perpetuar em sua fala, no caso dela o canto, os sentidos coexistenciais herdados dos ancestrais mais remotos e ali revividos em nome da longevidade cultural que nos dá identidade coletiva.

Este aparato musical, Dentro do mar tem rio, é o viço estético de alguém que não se cansa de ser Bahia, não se cansa de ser Brasil. Traz a Maria Bethânia de sempre, certeira naquilo que sabe fazer, alinhada à ideia de reiteração do que ela tira daqui como novelo de beleza e espalha pelo mundo, sem perder a tônica do necessário movimento presente em qualquer cultura.

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2 Respostas to “SALVE ABELHA RAINHA”

  1. Marlon Marcos Says:

    Tô comovido! Saber da possibilidade de festejá-la daqui do Jeito Baiano me deixa ainda mais feliz!!! Essa Moça traz sorte e norte, nossa cultura brilha porque tem porta-vozes como ela. E vc Jary entende isso como ninguém. Obrigado! Tô emocionado!!!!!!!

  2. Carlos Barros Says:

    O Blog traz uma ventilação mais que necessária à Cidade da Bahia e aos que querem saber mais desta cultura.
    O texto do Marlon é uma chamada de atenção (como tantos outros) do papel da música popular – sobretudo a partir de Bethânia – de nos dizer através da arte.

    Parabéns Jary e parabéns Marlon pela coincidência de propostas.

    Abraços!

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