BAIANICES – FESTAS JUNINAS

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MÊS DE FESTAS E DEVOÇÕES

por ZÉDEJESUSBARRÊTO

Junho é dos santos católicos, mês inteiro de festa no Nordeste, tradição do povo. Reza, forró, velas e fogueiras, foguetório e comida farta. Assim sempre foi na Bahia, também Nordeste; o que será amanhã?

O primeiro é Santo Antônio, de Lisboa, de Pádua, o franciscano pregador e erudito, pai dos pobres, uma devoção trazida pelos colonizadores lusos, santo de tantas igrejas, da terça da bênção no São Francisco, da sopa e do pão dos necessitados nos capuchinhos da Piedade, no templo da Barra, o santo casamenteiro, protetor dos guerreiros baianos – a ponto de obter patente e soldo militar –, por isso mesmo identificado nos terreiros como Ogum, o senhor das demandas, entidade da guerra, orixá do ferro e da espada afiada, com ele ninguém pode.

Para Antônio se rezam trezenas nas igrejas e casas dos mais devotos, com altar, incenso, oratórios e ladainhas, areia e folhas de pitanga pelo chão, velas, flores, promessas, vizinhança na sala cheia, meninos pelas janelas, canjica, bolo e amendoim para todos a cada noite de fé e oração para aquele que traz o Menino Jesus no colo, o consolo dos aflitos. Seu dia é 13.

Depois, São João, o Batista, primo de Jesus, aquele que o anunciou como “Filho de Deus” aos homens, depois de batizá-lo no Rio Jordão. O profeta precursor de Cristo e que, por Ele, teve sua cabeça decepada por Herodes e oferecida a Salomé numa bandeja. Está nas escrituras.

Dizem que a relação de São João com as fogueiras vem dos tempos das festas pagãs no solstício de verão para as deusas da fertilidade, tempos de colheita no norte europeu. Nas ações medievais de domínio político do mundo ocidental, a Igreja Católica teria agregado certos costumes dos povos subjugados. São João das fogueiras, dos fogos, o Xangô Menino. Época de balões, chapéu-de-palha, quadrilhas, forró-arrasta-pé, pau-de-sebo, quebra-pote, galinha-gorda, cheiro de pólvora e madeira queimando noite a dentro, licor, quentão e comilança de melar os beiços e dar dor de barriga de tanto milho assado e amendoim cozido no bucho. Tempo de adivinhações, namoro e simpatias, da sanfona de Luiz e o Trio Nordestino. Sua noite é de 23 para 24.

Dia 29, encerrando o ciclo, São Pedro, o mais velho apóstolo de Jesus, o pescador, aquele homem de fé que ergueu a espada em defesa do Mestre, mas em seguida o negou três vezes antes de o galo cantar na noite da paixão, humano como nós, a “Pedra” sobre a qual fundamentou-se a Igreja de Cristo, o primeiro papa de Roma, cidade onde foi crucificado de cabeça para baixo, por não merecer morrer igual a Jesus, o Filho de Deus. Padroeiro dos viúvos, o que carrega as chaves do céu e que manda as chuvas que fertilizam e também alagam a terra. Como João, tem direito a fogueiras nas ruas e baticuns nos terreiros da Bahia.

Salve Antônio, Ogunhê! Viva São João, Kaô Kabiesilé! Ave, São Pedro!

zédejesusbarrêto

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Uma resposta to “BAIANICES – FESTAS JUNINAS”

  1. mga Says:

    Viva São João!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!vontade de comer canjica e dançar quadrilha. valeu, Bá.

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