GENTE DA BAHIA – ÉDIO SOUZA

Edio Souza2

ÉDIO É UM LIVRO

por Jorge Portugal

Nasci e morei por bom tempo em uma terra que cultuava professores. Explico: uma cidade onde os professores eram respeitados e valorizados tanto quanto (ou mais) o prefeito, o juiz e o padre.

Ainda na minha infância-adolescência, morando no distante bairro do Bonfim, já ouvia falar com admiração e reverência de professores-mitos no meu imaginário: José de Oliveira Teixeira, José Nery de Mesquita, Dalva e Stella Mutti, professora Dos Anjos, Chicuta, Luzáurea Pinto, Mabel Velloso e a arqui-temida Aleluia. Ficava de lá sonhando e desejando estudar com todos eles (e elas) um dia.

Já no ginásio Teodoro Sampaio tive a felicidade de conhecer alguns em carne, osso e cátedra. Fui aluno de Gilberto e Mário Valadares, de Zalma, Padre Antenor, Padre Luís Brito, Amália, João Rodrigues e tantos outros luminares que nos encantavam com o simples auxílio do quadro e do giz.

Três grandes mestres, no entanto, extrapolaram, na minha vida, a condição de instrutores ou comunicadores de bons conteúdos: Nestor Oliveira, Jorge Montalvão e Édio Souza. Desde o primeiro momento, na primeira troca de palavras (ou de olhares?) meu coração acusou , de pronto, três arquitetos do meu futuro. Eternos orientadores, gurus da minha vida.

Montalvão e Nestor, que partiram há alguns anos, já foram tema dessa “humilde pena” em momentos passados. Édio, que gloriosamente permanece conosco, inspira agora essa viagem mental, em que pervago pelo itinerário de mim mesmo.

Curioso, mas estou lembrando neste instante que nunca fui “aluno de sala” de Édio Souza. Jamais estivemos frente a frente na condição de regente de classe versus estudante atento. O ambiente escolar em que colhi suas inúmeras lições foram os corredores do Teodoro Sampaio, as esquinas e ruas de Santo Amaro, a varanda de sua casa na Pedra e a antessala da casa da Ferreira Bandeira. Nesses lugares é que se aprendem as lições essenciais da vida, e o professor transforma-se em educador. Sempre foi assim com Édio.

A paixão pela saga de Canudos, a devoção pelos textos de Antônio Vieira, o entusiasmo sempre renovado pela sintaxe e ironia machadianas, a descoberta da literatura de Saramago, as histórias de Besouro e o gênio musical de Domingos de Farias Machado e tantas, tantas conversas que minha alma juvenil acolhia sabendo-as pedras fundamentais de minha formação cultural. Isso! Édio Souza sempre foi um formador e um trans-formador. Que o digam Caetano, Emanoel Araújo, Luciano Lima, Maria Bethânia, Eduardo Tadeu e todos os demais que foram alcançados pela luz do seu saber.

Aos 87 anos, Édio acaba de lançar um livro indispensável aos que são de Santo Amaro e das letras: “Com os pés no massapê”. Nele, histórias da imaginação e histórias de livro se entrelaçam a palestras, poemas, ensaios e compõem uma profunda expressão de amor à sua gente e à sua terra. Destinou a metade da receita do livro a uma campanha para salvar a Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro.

Aos 87 anos, Édio continua a nos dar belas lições de vida.

Foto: Bianca Martinez

Foto: Bianca Martinez

JORGE PORTUGAL
Eterno aluno de Édio Souza

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Uma resposta to “GENTE DA BAHIA – ÉDIO SOUZA”

  1. jane burgos Says:

    Realmente quem conhece essa figura não se esqueçe das longas conversas animadas pelos mais vastos assuntos, é uma experiência sem fim.
    Jane

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