JEITO BAIANO DE VIVER

Este blog pretende refletir sobre a maneira própria e característica de o baiano ser e estar no mundo. Assim como se fala tanto no american way of life, já considerado até por alguns como a nova religião da humanidade, existe também um brazilian way of life, assim como se pode falar que um dos “estilos” mais fortes da maneira brasileira de se viver é o bahian way of life, que tanto tem atraído estrangeiros à Bahia. Quero debater aqui a tese de que os baianos têm a oferecer ao Brasil e ao mundo um caminho, um norte, de como  as pessoas devem enfrentar as agruras do cotidiano com sabedoria, bom humor, saúde, criatividade e ginga. Vamor ouvir antropólogos, artistas e pensadores em geral, tanto da alta cultura como os filósofos de plantão encontráveis em cada esquina desta Cidade da Bahia. Estudemos o tema com os pés no chão, sem viseiras nem preconceitos, com um olhar realista, como Jorge Amado no “Convite” que abre seu livro “Bahia de Todos-os-Santos”, escrito em 1944:

“E quando a viola gemer nas mãos do seresteiro na rua trepidante da cidade mais agitada, não tenhas, moça, um minuto de indecisão. Atende ao chamado e vem. A Bahia te espera para sua festa quotidiana. Teus olhos se encharcarão de pitoresco, mas se entristecerão também diante da miséria que sobra nestas ruas coloniais onde se elevaram, violentos, magros e feios, os arranha-céus modernos”.

Atualizemos esta visão jorgeamadiana para o século XXI, ano da graça de 2009!

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8 Respostas to “JEITO BAIANO DE VIVER”

  1. Marlon Marcos Says:

    Caro Jary,

    Esta é uma investida de amor pela Bahia. Lembrou-me a vontade do poeta Damário da Cruz em eternizar Cachoeira – como o lugar mais acolhedor do mundo. Você propõe análises sobre um assunto muito perigoso e complexo, mas desafiador. Se faz mais que necessário que continuemos a abordar sócio-antropologicamente essa terrinha de nós todos e esse “jeito baiano de ser” e este novo espaço nos permitirá grandes reflexões, muitas gargalhadas, “baianas oratórias”, pequenas confusões e pouca conclusões – haja vista a dificuldade epistemológica da questão, até mesmo para a antropologia. Adorei a ideia.

  2. Claudio Leal Says:

    Salve, Jary! Bela notícia, o nascimento do blog “Jeito Baiano”. Aguardo a continuidade, com seu olhar de repórter e agitação de tropicalista democrata. Abraço forte, Claudio.

  3. Tom Cardoso Says:

    Sou admirador desse falso baiano há exatos 36 anos.

    • jarycardoso Says:

      Tom, só agora percebi que esse seu comentário havia sido transferido automaticamente para a lista de spams, não sei por quê. Esse blog tem inteligência curta…

  4. barreto Says:

    jary,
    espero contribuir.
    dê as ordens
    barreto

  5. adilson borges Says:

    Jary, segue pequena (hum) contribuição ao jeito baiano

    “Assim falou Jônatas Conceição”
    Aguenta, coração velho.
    Hoje, sábado, saí cedo com Marília, minha mulher, eu em jejum, para fazer exame de sangue. Na volta, pego o jornal na portaria, e da minha queridíssima Cleidiana Ramos recebo uma notícia como uma bala: Jonatas Conceição morreu.
    O poeta, militante do Movimento Negro, professor e, sobretudo meu amigo, de mais de 30 anos, foi enterrado, às 16h30, de sexta-feira, mesmo dia da morte. Não sabia que estava doente. Câncer…
    Última vez que o vi, acho que foi ano passado na porta do Museu do Ritmo, no Mercado do Ouro, pouco antes de começar a versão (louquíssima pra variar) de José Celso Martinez sobre a guerra de Canudos.
    Sorrimos, eu mais gaiatamente e ele mais tímido como sempre, fizemos sinal de positivo a distancia. Se soubéssemos (Como? Não sei) que não nos veríamos mais, tenho certeza que o encontro seria mais próximo, eu daria um abraço, ele apertaria minha mão, perguntaria as novidades, fazendo esforço para não gaguejar, e chamar-me-ia, como sempre fez, de Abelha, um apelido de infância que pouquíssimos ainda usam – para mim é uma espécie de teste de carbono sobre o tempo que me conhecem.
    Agora que Jônatas disse adeus, aos 56 anos, serei Abelha para menos gente fora do círculo familiar: Maria Luiza Bairros, a secretaria de Promoção da Igualdade Racial e os jornalistas Gutemberg Cruz (Gugu), Osmar Martins (Marrom), Raimundo Souza (China), o mecânico Dilsinho e família, de Cidade Nova.
    Chorei, chorei, chorei (pode ironizar, Dantão, mas não me envergonho, de chorar quase todo dia desde que fiz a cirurgia do coração), pensando em Jônatas, que ainda na Liberdade, brincava comigo e com minha filha Cristiana, à época com uns dois, três anos (hoje 33, desculpe revelar Thyana): “Abelha, esta menina ainda vai ser Deusa de Ébano do Ilê”.
    Anos depois, trabalhamos juntos na revisão de A TARDE, e depois no Irdeb duas vezes, a última na rádio Educadora, onde ele apresentava um programa sobre música afro-brasileira, sobretudo do Ilê Aiyê, do qual era diretor há muito tempo.
    Após o choro, contei a Marília, que o conhecia de vista e de encontro formais, e relembrei um encontro que tive com ele, há quase nove anos (Paulo Leandro, jornalista, sabe todas as datas, mas quem me socorreu foi outro colega, José Pacheco) na Rua do Paraíso, um ou dois dias depois de eu dar uma entrevista em A TARDE sobre o fechamento da sucursal da Gazeta Mercantil em Salvador (7.11.2001) e a demissão de todos os jornalistas. Jônatas disse que logo, logo, eu estaria em outro emprego, perguntou pelos meus filhos, por Vina, minha ex-mulher. Arrematou a conversa com uma frase: “Fora trabalhar, o que é que você está fazendo contra o Estado?”
    Hora do encantamento
    Marília me deu um café da manhã cheio de frutas e sucos. Depois, convidou: Vamos pro quarto descansar, no ar condicionado. Eu disse que queria ficar na sala, um pouco, pensando em Jonatas e tocando. Ela então ordenou: Vamos para o quarto, traga o violão. Fazer o quê? Ela deitou, se protegeu do friozinnho, fez um tralalá numa música, quando cantei Coração Leviano disse ” tá bonito, mas cante mais baixo que já estou perto do paraíso”, disse com os olhos fechados. Tá legal, respondi, mas já em estado de encantamento, fechei a porta devagarzinho, peguei um papel oficio, fui pra sala silenciosa (Chico, meu filho, ainda dormia, e Marta, que cuida dele, é o silencio em pessoa) e comecei a compor. Acho que em pouco mais de uma hora e meia, eu já estava guardando no velho gravador de fita cassete a canção que fiz para o meu amigo que partiu sem me dar um abraço.
    Poucas músicas me lavaram tanto a alma. Marília adorou. Mas não mostrei a todos que foram lá em casa neste sábado de dor e criação. Dantão e Gil Maciel foram exceção. Gil pirou de vez, analisou a frase de Jônatas ,esbugalhou os olhos, destacou as misturas de ritmo, viu rock e jazz onde acho que é reggae, disse que era linda e chorou, mas discretamente.
    Dantão ouviu, compenetrado, algumas vezes olhando o rascunho que estava no sofá, começou a cantar comigo, elogiou muito (algumas vezes, com olhos molhados, mas sem chorar ) . Ele e Marília, assim como Gil, discutiram a pergunta de Jônatas. Ela quis saber minha resposta, ele perguntou se o falecido era anarquista e apresentaram vários projetos para a música de Jonatas. Na despedida, já na porta do elevador, Dantão falou: “Que música massa”. Vou tentar postar no meu blog, Coisas do Coração (adilsondechico.word.press.com). Espero, sobretudo, que Ana Célia, irmã de Jônatas, goste.
    Batizei-a de “Assim falou Jônatas Conceição”

    • jarycardoso Says:

      Caro Adilson, só agora percebi que essa sua mensagem estava escondida na lista de comentários que o blog considerou como spams. Vê se pode uma coisa dessas…
      Fiquei curioso para ouvir a música dedicada a Jônatas Conceição, você conseguiu postá-la no seu blog?
      Gostei de você ter falado bastante de Jônatas, cujo falecimento tinha mesmo de constar deste blog dedicado às coisas e gente da Bahia. Para quem não sabe, Jônatas Conceição era uma das principais cabeças do Movimento Negro, dirigente do Ilê Aiyê, poeta, intelectual. Uma das coisas que ele fazia era produzir o programa Tambores da Liberdade, na Rádio FM Educadora de Salvador, todo sábado às 18h.

  6. waleska Says:

    Jary, daqui de juiz de fora – MG, estamos acompanhando seu jeito de ser, bjos!

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