CANDOMBLÉ DE CACHOEIRA PEDE ATENÇÃO

Fazenda Ventura, onde funciona o Terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde. Foto: MARCO AURÉLIO MARTINS | Agência A Tarde 8.12.2008

Fazenda Ventura, onde funciona o Terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde. Foto: MARCO AURÉLIO MARTINS | Agência A Tarde 8.12.2008

ROÇA DO VENTURA:

À ESPERA DO TOMBAMENTO

 

por MARLON MARCOS

 

A cidade de Cachoeira da Bahia, uma das mais bonitas deste País, salvaguarda em si grande parte da memória e presença religiosa de origem africana. Em sua paisagem privilegiada, banhada pelo Rio Paraguaçu, existem templos de candomblé que são monumentos históricos inaugurais desta religião negra no Brasil.

Um dos mais antigos e importantes clama por seu tombamento e pede às autoridades responsáveis que se adiantem numa ação de reconstrução, restauração, preservação e dignificação física, já que a chamada Roça do Ventura, ou ilustremente, o Zogbodo Male Bogun Seja Unde, o modelar terreiro de nação jeje-mahi, é de suma importância para continuar uma tradição de ensinamentos seculares.

O pedido de tombamento foi encaminhado ao Iphan, à sua 7ª Superintendência Regional, na Bahia, aos cuidados de Carlos Amorim, em 20 de dezembro de 2008, em nome de dona Alaíde Augusta da Conceição, a veneranda vodunce Alaíde de Oyá.

Nos últimos meses, as matas daquela casa sofreram um incêndio que por pouco não devastou o templo; ainda assim, agravou as suas condições físicas e mais do que de laudos antropológicos e da caridade de qualquer espécie, aquela “roça dos voduns” conclama os preservadores instituídos neste Estado a resolverem uma questão socioantropológica de alta relevância para um povo, no caso o baiano, que tem nas religiões de matriz africana esteio civilizatório.

Esta luta está sendo empreendida por patrimônios humanos, nela estão os ogãs Boboso com 103 anos, e Bernardino com 101, além das vodunces Alda e Alaíde de Oyá, a primeira funciona como uma espécie de guardiã, até que se defina a escolha de uma nova gaiaku, o que seria a ialorixá para o povo de ketu.

Também à frente desta ação de resistência e movimento estão o historiador Marcus Alessandro, que é ogã desta casa, a vodunce Dinalva e a ekedy mais antiga, Romilda; os ogãs Buda e Vando também lutam e representam a renovação daquele candomblé.

Recebendo também apoio direto da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), na figura de Luiza Bairros, e dos cidadãos responsáveis pela preservação de nossa cultura, juntos pedimos: tombem o Seja Unde!

Reunião na casa do Ogã Boboso, em Cachoeira, para discutir a situação da Roça do Ventura: da esquerda para a direita, Ogã Boboso (Ambrósio Bispo Conceição), Vodunsi Alda dos Santos Menezes da Silva, Ogã Bernardino Pereira dos Santos e a Vodunsi Alaide Augusta da Conceição. Foto: MARCO AURÉLIO MARTINS | Agência A Tarde 8.12.2008

Reunião na casa do ogã Boboso, em Cachoeira, para discutir a situação da Roça do Ventura: da esquerda para a direita, ogã Boboso (Ambrósio Bispo Conceição), vodunsi Alda dos Santos Menezes da Silva, ogã Bernardino Pereira dos Santos e a vodunsi Alaide Augusta da Conceição. Foto: MARCO AURÉLIO MARTINS | Agência A Tarde 8.12.2008

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28 Respostas to “CANDOMBLÉ DE CACHOEIRA PEDE ATENÇÃO”

  1. Marlon Marcos Says:

    Meu caro,

    Obrigado por participar desta luta legítima e já vitoriosa em Bessem. Abraços de Fé!

  2. André Cozta Says:

    Caro amigo, se achar interessante, posso publicar este texto no blog que modero, TERRA D’AGANJU- http://www.terradeaganju.blogspot.com.
    Meu email é terradeaganju@gmail.com.

    Abs fraternos

  3. Marlon Marcos Says:

    Por favor, publique!!!

  4. muito interessante Says:

    é uma religião que vc segue se vc quiser

  5. muito interessante Says:

    é uma religião diferente

  6. Saulo Moreno Says:

    É necessário preservar estes patrimônios que possuem um enorme peso para a religiosidade baiana e brasileira. Este lugar, a Roça do Ventura, possui um valor incalculável para a nação brasileira, sendo assim, se constitui num espaço de representação cultural e simbólica destes povos e de suas culturas no novo mundo.
    Sou um adepto do candomblé, e levanto a bandeira pela preservação deste patrimônio do povo-de-santo e do povo brasileiro.
    Colofé? Mukuiu? Motumbá? Belecô?
    A bença!

  7. Sidnéia Pereira Says:

    Tive o prazer de conhecer Mãe Alda em Mauá, na casa de sua filha, Mãe Coquita, as duas são pessoas maravilhosas e desprovidas da soberba e vaidade que contagiou o ser humano. O que vi foi de uma seriedade, competência, de uma dedicação. E são terreiros de axé assim que nossa religião precisa, para deixar herdeiros, que deem continuidade. Estou dentro e vou divulgar junto com vocês, para ser mais um elo, nesta luta linda.
    Colofé a todos.
    Sidnéia D’Odé

  8. Liz Silveira Says:

    Bom dia,
    sou fomanda em jornalismo pelo Centro Universitário Jorge Amado e o meu TCC consiste em uma Grande Reportagem cujo tema é Filhas de Santo. Como sei da importância do candomblé em Cachoeira e de seu legado religioso, gostaria muito de entrar em cotnato com alguém que pudesse me fornecer algumas informações.
    Tenho interesse genuíno pelo assunto e pretendo visitar a cidade em busca de dados e imagens. Além disso, estou construindo um blog com a proposta de oferecer um espaço de discussão, afim de saciar a curiosidade de uns, desmistificar o preconceito de outros e homenagear o povo de santo.

    Grande abraço!

  9. Vinicius de hevioso Says:

    Tomara que esta situação se resolva, para o bem da tradição Maxí e de seus descendentes!

  10. BENEDITO JAHNEL Says:

    GOSTARIA DE MAIORES CONTATOS.

  11. Cláudia Says:

    Urgente:
    A Roça do Ventura com árvores centenárias de valores religioso, histórico e cultural está sendo devastada arbitrariamente sem o alvará do CREA, pois quando questionado o responsável pela terraplenagem, ele não emitiu nenhum documento que comprovasse a legalização da obra.
    Segundo Cacau Nascimento em seu blog, parte da Roça do Ventura, como é conhecido o terreiro de candomblé jêje marrin denominado Zô Ôgodô Bogum Malê Seja Hundê, está sendo invadida pelo posseiro da Fazenda Altamira, o advogado Ademir Passos. Segundo o ogan responsável pelo terreiro, um trator está desmatando a área, provavelmente para iniciar imediatamente a construção de um condomínio residencial. Segundo ele, o tratorista por pouco não derrubou uma árvore sagrada, plantada em 1878, que fica localizada no limite entre o terreiro e a fazenda.
    A fazenda Altamira, que a comunidade-terreiro do Seja Hundê chama de Roça de Cima, pertencia na década de 1870 a José Maria de Belchior, conhecido como Zé de Brechó. Nessa fazenda, ele, juntamente com a africana Ludovina Pessoa, a responsável pela fundação do terreiro do Bogum, de Salvador, fundaram o Seja Hundê de Cachoeira que, depois da abolição da escravatura, se transferiu para a uma roça contígua, a citada Roça do Ventura.
    Vendido em 1904 pelas irmãs e herdeiras de Zé de Brechó aos filhos de Zacharias Milhazes, estes, vendo muitas assombrações no lugar, o venderam, em 1912, ao advogado Moyses Elpidio de Almeida. Em 1922 a fazenda foi adquirida pelo advogado Nelson Falcão em mãos de seu colega Moyses. Este, também assombrado, vendeu a Aurino Longuinho (que ao ver uma assombração quase morre). Longuinho então o revendeu, ou devolveu o pepino, ao Dr. Nelson, que legou a seus filhos, que, assombrados, legaram a seus netos, permanecendo até poucos dias atrás em mãos da última herdeira, Marta Falcão. Assombrada, doava, oferecia a propriedade pela bagatela de 20 mil reais (15 mil morria). Muito barata para uma propriedade de 12 hectares de terras bem localizadas e cheias de axé plantado por africanos. Segundo Cacau Nascimento, o porquê da barateza era que o imóvel está até aqui atolado de dívidas com o INCRA, porque tudo desmoronou, a terra perdeu a força, como todos os outros proprietários, se deu mal. O Seja Hundê está em processo de tombamento pelo IPHAN e no projeto está incluída a área onde originou o terreiro.
    O empreendedor, advogado Dr. Ademir Passos, tem lá suas razões para encarar o negócio. Ele é também posseiro da problemática e irregular fazenda Caquende, um balneário cheio de história, lugar que acolheu Von Martius e Von Spix, mas que foi abandonado pelo ex-deputado e ex-vice-governador Edvaldo Brandão Correia. Dizem por aí que o Dr. Ademir pretende fazer um condomínio de luxo, algo do tipo Costa de Sauípe.
    Detalhe: para onde será que vai desaguar a rede de esgoto do condomínio, na fonte de Oxum que corre dentro da roça? Por favor divulgue para mobilização da comunidade.

  12. hguarilha Says:

    É isso aí, o que a Cláudia está falando é muito sério!!! Li no Cachoeira On Line esse artigo do Cacau e estou em busca de maiores informações. O que se pode fazer, afinal?

  13. walter antonio Says:

    estamos juntos nessa luta, pertenço à família marrim, que nosso pai becem nos ajude nessa missão.

  14. Loren Furtunatu Says:

    gostaria de ter os telefones de vocês pra entrar em contato meu e-mail eurico furtunatu @ hotmail com

  15. claudia castro Says:

    o que podemos fazer para mudar? Precisamos tomar atitudes para que não aconteça mais!!!!

  16. André Galani Says:

    Compadeço com a situação e realmente é muito triste uma Raiz de Santo tão pura passar por este tipo de situação.
    Mas o que me traz aqui é que estou procurando a Raiz de minha Mãe de Santo, se puderem me enviar dados para contato ficarei muito agradecido. Sou de Campinas – SP

  17. loren Says:

    MARLON MARCOS, me desculpe, passei o e-mail errado, o que passei é de um parente meu, lhe peço que entre em contato com meu próprio e-mal, lorenfurtunatu@hotmail.com, pra que possa ser publicado em uma revista muito conhecida nas bancas de jornais, e pelo povo do candomblé alguma entrevista da roça do ventura, vou amar fazer uma entrevista com vocês. atenciosamente loren furtunatu

  18. Joana Says:

    Gostaria de ter o telefone de contato da Roça do Ventura.

  19. ramiro igrejaq da costa Says:

    sou neto de alda di oyá, ogã ramiro,filho de kokita de yemanjá.

  20. ramiro igrejaq da costa Says:

    jamais tem que acabar este patrimônio histórico roça da ventura ,,,, kalonfé,,aus voduns,,

  21. denise Says:

    Gostaria de obter o email de contato da Roça do Ventura.

  22. glaucenir rosa de jesus Says:

    gostaria de saber mais sobre esta religião. gostaria de obter o email de contato da roça do ventura

  23. glaucenir rosa de jesus Says:

    o que pode ser feito? é um patrimônio histórico

  24. mauro sergio Says:

    como está esta luta? espero que conseguiram!
    como faço para chegar até aí, na roça dos venturas?

    • jarycardoso Says:

      Caro Mauro Sérgio, essa luta continua. Sobre como chegar lá, reproduzo a resposta da jornalista Cleidiana Ramos, minha colega do jornal A Tarde, de Salvador:

      “é só ele ir em Cachoeira e perguntar… pois lá é bem precário… não tem telefone… até luz elétrica só botaram depois que eu fiz uma matéria aqui”

      • mauro sérgio Says:

        temos que mobilizar um movimento pela internet, no face ou até passar num jornal para todo o Brasil ver!
        mas lá ainda funciona o terreiro?
        eles não têm e-mail, face ou coisa parecida?

  25. luan Says:

    sou de jeje modubi e gostaria de ter contato com um de vocês. meu email é luanhmonteiro@hotmail.com

  26. Marcelo (@Marcelo62031287) Says:

    De que maneira posso ajudar?

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